

Por Murilo Rodrigues, do ATUAL
MANAUS – Candidato a governador do Amazonas, o senador Omar Aziz (PSD) defendeu o manejo de jacarés no Estado durante entrevista ao G6, consórcio sites de jornalismo profissional, na última quinta-feira (17). Segundo Omar, a medida é necessária para que não falte peixe no Estado. Omar disse também que com o manejo ambiental é possível ganhar dinheiro.
Omar Aziz citou a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, localizada na região do rio Solimões e que abrange áreas dos municípios de Uarini, Fonte Boa, Maraã, Japurá e Tonantins. Segundo ele, a reserva, criada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, se estende de Amaturá até Alvarães.
A RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) Mamirauá é a primeira unidade de conservação desse modelo no Brasil e abriga cerca de 541 espécies de peixes catalogadas em seus rios e florestas alagadas.

“Se a gente não fizer o manejo do jacaré, daqui a pouco não vai ter peixe mais lá. Nós precisamos fazer o manejo do jacaré. Você tem que fazer o manejo, é uma realidade. Agora, você não precisa chegar lá e matando tudo, não. Faz o manejo”.
Omar explicou como precisa ser feito e citou que do jacaré, tudo é utilizado. Em termos comerciais, o jacaré tem potencial econômico. O couro é vendido para o mercado de bolsas e sapatos por cerca de R$ 30 por centímetro, a carne é destinada à alimentação e as vísceras são utilizadas para fazer ração.
“E aí, como é que você pode fazer isso? Com uma grande indústria numa balsa. Você vai capturar um certo tipo de jacaré no manejo. E ele é aproveitado 100%. Até as vísceras dele são aproveitadas para fazer ração. Em qualquer lugar do mundo que tiver o selo de manejo ambiental, você vende e vende bem, e dá para ganhar dinheiro”, disse.

O senador afirmou que só quem mata jacaré é onça e que não é necessário fazer criatório porque na própria natureza dá para fazer o manejo. “Então, você não precisa fazer criatório de jacaré como algumas pessoas quiseram fazer. Você tem na natureza e dá para fazer o manejo. Por quê? Como ele tá no último degrau da cadeia… porque só quem mata jacaré é onça mano, e é uma ou outra, não é toda hora, não”.
Omar Aziz explicou que sem o manejo, os peixes dos rios são comidos pelo animal e que, com o tempo, terá escassez de pescado. “O jacaré se reproduz com muita facilidade. Como não tem manejo, aí você vai perdendo o peixe, porque ele se alimenta de peixe. Então, vai chegar um tempo que nós não vamos ter mais peixe”, falou o senador.

O senador disse que atualmente o Amazonas já sofre com a escassez do peixe e, segundo ele, o Estado está importando pescado de Rondônia e Roraima. “E aliás, a escassez já existe. Tanto é que a gente tá importando peixe de Rondônia e Roraima, peixe em cativeiro, porque nós tínhamos essa produção antigamente e hoje nós não temos”, disse.

Omar Aziz disse também que o manejo precisa ser realizado por empresários em parceria com o governo porque, segundo ele, “O Estado administrar isso não presta”.
“Então, se a gente não fizer o manejo do jacaré — e dá para fazer… Parceria… O Estado administrar isso não presta, tá? O Estado para administrar algumas coisas não… Isso tem que ser empresário. Você tem que trazer, fazer financiamento de uma indústria de filetagem dentro de Mamirauá, não só dele, mas também de peixe”, finalizou.
Gilberto Mestrinho sobre o manejo de jacaré
O ex-governador do Amazonas Gilberto Mestrinho defendia, desde seu primeiro governo, em 1958, o manejo e a exploração dos recursos naturais da Amazônia, posição que também aplicava aos jacarés. Em 1991, durante seu governo, a questão ganhou destaque após relatos de ataques de jacarés-açus a moradores de Nhamundá.
Mestrinho defendia o controle da população desses animais e contestava políticas de preservação que, em sua avaliação, desconsideravam as necessidades econômicas e a segurança das populações amazônicas. Na época, a posição provocou forte reação de ambientalistas e tornou-se uma das marcas de seu confronto com setores do movimento ambiental.

Mestrinho também sustentou que a grande quantidade de jacarés poderia prejudicar os estoques de peixes e, consequentemente, a atividade dos pescadores. Ele afirmou que jacarés na região de Anavilhanas estariam consumindo grandes quantidades de tucunaré e contribuindo para a redução do pescado.
Pesquisadores que estudavam as populações de jacarés em Anavilhanas contestaram essa hipótese após analisar a alimentação dos animais. Gilberto Mestrinho defendia que a fauna e a floresta amazônicas poderiam ser utilizadas economicamente por meio de manejo racional, em vez de uma política baseada apenas na preservação integral.
Manejo na gestão Wilson Lima
O manejo de jacarés surgiu como proposta de projeto econômico no Amazonas no governo de Wilson Lima, em 2019.
O então secretário de Meio Ambiente do Estado, Eduardo Taveira, defendia que a liberação de licenças para manejo de jacaré garantiria melhor controle da atividade, a conservação da espécie e fonte de renda a moradores das UCs (Unidades de Conservação).

A primeira licença para abate de jacaré em UCs para a atividade primária foi assinada em 2018, autorizando o funcionamento de abatedouro e entreposto flutuante de abate do animal na comunidade rural Jarauá, no município de Uarini (distante 565 quilômetros de Manaus), na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá.
A licença tinha validade de cinco anos, período no qual poderiam ser abatidos até 10 mil animais das espécies jacaré-açú e jacaretinga no rio Paraná do Jarauá, seguindo normas dos órgãos ambientais.
Outros projetos de manejo foram protocolados no Ipaam, mas os resultados até agora não apareceram.
O que é o G6
O G6 é um consórcio de sites de jornalismo profissional formado pelo AMAZONAS ATUAL, BNC Amazonas, Portal Único, Portal do Marcos Santos, Portal Mário Adolfo e Blog do Hiel Levy.
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