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No Dia Mundial do Meio Ambiente, ONU alerta sobre a poluição plástica

5 de junho de 2018 Dia a Dia.
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Plástico nos oceanos: poluição mortal para animais da vida marinha (Foto: NOAA Marine/Debris Program/Divulgação)
Plástico nos oceanos: poluição mortal para animais da vida marinha (Foto: NOAA Marine/Debris Program/Divulgação)

Do Estadão Conteúdo

NOVA IORQUE – Uma baleia-piloto morreu no domingo, 3, na Tailândia, com 80 sacos plásticos entalados em seu estômago. O jovem cetáceo, não muito maior do que um golfinho comum, foi mais uma vítima daquilo que muitos especialistas consideram ser um dos maiores desafios de desenvolvimento sustentável do século 21: a poluição plástica – tema do Dia Mundial do Meio Ambiente 2018, celebrado nesta terça-feira, dia 5 de junho.

O problema é global e onipresente. Cerca de 75% das 8,3 bilhões de toneladas de plástico produzidas pelo ser humano desde a invenção do plástico já viraram lixo; e só 20% desses resíduos foram incinerados ou reciclados de algum modo, segundo um estudo publicado em 2017.

Os outros 80% (cerca de 5 bilhões de toneladas) estão espalhados por aí, contaminando o solo, os rios, os oceanos, a atmosfera e até a água mineral que compramos no supermercado – ironicamente, embalada em garrafas plásticas que, um dia, seguirão o mesmo caminho.

“Estamos acumulando plástico no planeta de tal forma que essa ficará conhecida como a era geológica do plástico”, disse ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’ a gerente de campanhas da ONU Meio Ambiente no Brasil, Fernanda Daltro. “O impacto é colossal”.

Derivado do petróleo, o plástico nunca se degrada por completo na natureza. O material apenas se quebra em pedaços cada vez menores, em um processo de decomposição que pode levar centenas de anos. Mesmo os plásticos chamados biodegradáveis não ‘desaparecem’; apenas se quebram mais rapidamente.

O ambiente mais afetado são os oceanos. Cientistas estimam que há mais de 5 trilhões de pedaços de plástico flutuando nos mares e outras 8 milhões de toneladas do material são despejadas no oceano todos os anos, na forma de garrafas, embalagens e outros resíduos plásticos carregados pelos rios e pela chuva. Uma grande parte é arrastada para alto-mar e fica circulando durante anos, até encalhar em alguma praia ou se juntar a uma das seis gigantescas ‘manchas de lixo’ que existem nas regiões centrais dos Oceanos Pacífico, Atlântico e Índico.

As vítimas mais óbvias são milhares de tartarugas, baleias, golfinhos, aves e outros animais marinhos que morrem pela ingestão de plástico ou presas em redes de pesca descartadas – as chamadas ‘redes fantasmas’, que também são feitas de plástico e levam centenas de anos para se decompor.

Mas essa é só a ponta do iceberg. A parte mais problemática do lixo plástico é invisível a olho nu: são as partículas microscópicas, conhecidas como ‘microplástico’, que se misturam ao plâncton e contaminam a cadeia alimentar marinha, podendo chegar ao homem, com efeitos ainda desconhecidos sobre a saúde humana. Estão misturadas à água e à areia de todas as praias do mundo.

As pesquisas sobre o tema no Brasil são pontuais, mas uma coisa é certa: “Em qualquer lugar que você procurar, você vai encontrar”, diz a pesquisadora Monica Costa, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), especialista em oceanografia química e poluição marinha. “O microplástico está literalmente em todo lugar”.

Soluções

O problema precisa ser atacado em várias frentes, dizem os pesquisadores; tanto na produção quanto no consumo, no reaproveitamento e no gerenciamento de resíduos. Cerca de 40% do plástico produzido hoje é descartável – ou seja, feito para ser usado uma única vez, como copinhos, canudos, embalagens e sacolas.

O primeiro passo, segundo Fernanda, é eliminar os excessos, substituindo o que pode ser substituído e deixando de consumir aquilo que é desnecessário. “Precisamos rever o uso desse material que é tão importante nas nossas vidas”, diz.

A União Europeia está discutindo neste momento uma série de medidas legais de combate ao lixo plástico, entre elas o banimento de produtos descartáveis para os quais há uma alternativa viável, como canudos e cotonetes plásticos.

“O problema do lixo no mar é extremamente complexo”, destaca o pesquisador Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP). “Não há uma solução única para tudo”. A mudança nos padrões de consumo, segundo ele, é uma ação necessária de longo prazo, mas que não resolve a crise imediata, relacionada principalmente à má gestão dos resíduos sólidos.

No Brasil, o governo federal aderiu à campanha Mares Limpos, da ONU, e assumiu um compromisso voluntário de redução da poluição marinha. Nesta terça-feira deve ser publicada uma portaria do Ministério do Meio Ambiente, criando uma comissão multissetorial que será encarregada de coordenar a elaboração de um Plano Nacional de Combate ao Lixo nos Mares – do qual até 90% é plástico.

Evite no dia a dia

– Café e água: É o mais fácil. Basta manter uma caneca ou garrafa na mesa do escritório ou dentro da bolsa.

– Canudinho: Tome direto do copo. Mas, se precisar mesmo de canudinho, procure usar um de papel (que, apesar de descartável, dissolve mais facilmente no ambiente) ou ter o próprio canudo reutilizável, como de bambu ou metal. Há opções à venda na internet.

– Comida: Que tal levar os próprios potes para comprar frios e produtos a granel? Além de evitar as embalagens plásticas e de isopor, ainda facilita na hora de guardar.

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Assuntos Amazonas, Amazônia, Dia Mundial do Meio Ambiente, ONU
Cleber Oliveira 5 de junho de 2018
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