
Por Ana Luiza Albuquerque, da Folhapress
RIO DE JANEIRO-RJ – O ex-presidente Michel Temer (MDB) tornou-se réu na Lava Jato do Rio nesta terça-feira, 2. O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, aceitou duas denúncias contra ele e mais 12 acusados de terem participado de desvios na Eletronuclear.
O MPF (Ministério Público Federal) acusa Temer, 78, de peculato, corrupção e lavagem de dinheiro. Entre os denunciados, também está o coronel João Baptista Lima, amigo de Temer, e Othon Pinheiro, ex-presidente da Eletronuclear. O ex-presidente é acusado de chefiar uma organização criminosa que desviava recursos das obras da usina nuclear de Angra 3. A propina, neste caso, teria somado R$ 1 milhão.
O MPF afirmou que chega a R$ 1,8 bilhão o montante de propinas solicitadas, pagas ou desviadas pelo grupo do ex-presidente da República. Segundo a Procuradoria, a organização age há 40 anos obtendo vantagens indevidas sobre contratos públicos. No último dia 21, Bretas havia mandado prender os envolvidos preventivamente. Sua decisão foi criticada pelo desembargador Ivan Athié, que revogou as prisões.
Temer chegou a ficar preso por quatro dias na sede da Polícia Federal no centro do Rio. O colegiado do TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região) ainda julgará recurso do Ministério Público, que pediu o restabelecimento das prisões. A data para este julgamento ainda não está definida.
Casa da filha
Também nesta terça, o MPF em São Paulo apresentou denúncia em que acusa o ex-presidente Michel Temer de lavagem de dinheiro por meio de uma reforma na casa de uma das filhas dele.
A reforma na casa da filha na psicóloga Maristela Temer, no bairro Alto de Pinheiros, em São Paulo, feita de 2013 a 2015, foi bancada pelo coronel da PM João Baptista Lima Filho, e pela mulher dele, Maria Rita Fratezi. A suspeita é de que o dinheiro teve origem em propina arrecadada pela empresa Argeplan, de Lima. O caso chegou a ser mencionado como um dos motivos para a prisão preventiva de Temer, pela Lava Jato no Rio, há duas semanas. Com a saída dele da Presidência da República, a apuração foi transferida para a Justiça Federal em São Paulo.
