
Do ATUAL
MANAUS — O número de ocorrências sobre venda ilegal de bebidas no Brasil passou de 77 em 2024 para 318 em 2025, segundo dados da Abrabe (Associação Brasileira de Bebidas). No mesmo período, o volume de produtos falsificados apreendidos aumentou de 319 mil para 850 mil unidades, de acordo com a entidade.
A associação afirma que o crescimento dos registros está ligado a mudanças na forma de atuação desse tipo de crime. Segundo a presidente-executiva da Abrabe, Cristiane Foja, o comércio ilegal de bebidas tem apresentado maior nível de organização nos últimos anos.

“O mercado ilegal de bebidas alcoólicas sofreu uma mudança na dinâmica de operação nos últimos anos. No passado, mostrava-se como uma atividade ilegal desestruturada, amadora e desarticulada. Hoje, percebemos que o mercado ilegal de bebidas alcoólicas é uma fonte de renda para subsidiar organizações criminosas, e sua operação se dá de maneira organizada e estratégica, a fim de dificultar a repressão e a prisão dos criminosos”, disse Cristiane Foja.
De acordo com Foja, além dos impactos econômicos a circulação de bebidas adulteradas também levanta preocupações relacionadas à saúde dos consumidores. Isso porque produtos falsificados não passam por controle sanitário ou de qualidade.
“Não se pode ter certeza do que tem dentro de uma bebida ilegal, seja ela contrabandeada ou falsificada. Os riscos vão desde a enganação do consumidor pela falta de cuidado no transporte e armazenamento, riscos de contaminação por falta de higiene e controle no manuseio do líquido, até o grave risco de morte, como vimos casos de falsificação de bebidas usando etanol combustível adulterado com metanol”, explica.
Segundo Cristiane Foja, o consumidor pode observar alguns sinais que indicam possível irregularidade. Entre eles estão falhas no lacre da garrafa, rótulos com borrões ou erros de impressão e diferenças no nível do líquido entre garrafas da mesma marca.
Ela também orienta a verificar se o produto possui contrarrótulo em português com informações do fabricante e registro no Ministério da Agricultura, além de priorizar a compra em estabelecimentos considerados confiáveis. Cristiane Foja afirmou ainda que a associação acompanha investigações relacionadas ao mercado ilegal de bebidas.
“A Abrabe acompanha os inquéritos e processos criminais como assistente de acusação, colaborando com seu conhecimento para que os criminosos fiquem presos e não voltem a ofertar bebidas ilegais ao comércio. Em
2025, a Abrabe (Associação Brasileira de Bebidas) capacitou mais de 9.500 autoridades em todo o país”, disse.
Treinamento em Manaus
Integrantes de forças de segurança e órgãos de fiscalização que atuam em Manaus participaram, nesta semana, de um treinamento técnico voltado ao reconhecimento de bebidas falsificadas, contrabandeadas ou em desacordo com a legislação.

A capacitação reuniu profissionais das polícias Civil e Militar, do Instituto de Criminalística, da Polícia Rodoviária Federal, além de equipes da Vigilância Sanitária e do Procon.
“Manaus é uma cidade turística, industrial, centro de negócios, referência para a região Norte do Brasil. Capacitar agentes de repressão e informar o consumidor é parte do nosso esforço para que o Brasil inteiro esteja preparado para o enfrentamento constante deste problema, em todo seu território”, comentou.
De acordo com ela, o objetivo da iniciativa da capacitação é preparar profissionais locais para identificar bebidas irregulares e fortalecer ações de combate ao comércio ilegal.
“A cooperação entre o poder público e o setor organizado é essencial no fortalecimento da cultura pela legalidade na oferta de bebidas alcoólicas. A Abrabe colabora com conhecimento técnico dos produtos e das dinâmicas do setor. Investir em capacitação técnica é uma medida concreta que gera impacto imediato e contribui para políticas públicas de combate ao comércio ilícito de bebidas”, destaca Cristiane Foja, presidente executiva da associação.
A Abrabe orienta que consumidores fiquem atentos a sinais de irregularidade na venda de bebidas alcoólicas e priorizem a compra em estabelecimentos reconhecidamente confiáveis, inclusive em plataformas de comércio eletrônico. Em casos de suspeita de comercialização de produtos falsificados, adulterados ou de origem duvidosa, a recomendação é procurar órgãos de defesa do consumidor, como o Procon.
A associação também mantém um canal próprio para recebimento de denúncias sobre possíveis irregularidades no mercado de bebidas, por meio do e-mail [email protected].
