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GastronomiaTurismo Amazônia

Manejo de jacaré-açu: expectativa de ribeirinhos é comercializar carne do animal em 2020

27 de maio de 2019 Gastronomia Turismo Amazônia
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População de jacaré-açú é endêmica no lago da RDS Mamirauá. (Foto: Marcelos Ismar Santana/Instituto Mamirauá)
Da Redação

MANAUS – O lago da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá fica assim aos finais de tarde, quando a população de jacaré-açu emerge para ver o pôr do sol. Nele, há pelo menos cinco mil animais machos e adultos em idade de abate, sem contar fêmeas e filhotes. Preocupante, a ocorrência endêmica da espécie gerou política púbica, e, com o abate controlado, os amazonenses poderão comprar carne de jacaré até em supermercados a partir do próximo ano.

Em fase de testes, a Planta de Abate Remoto (Plantar) – uma espécie de flutuante – está instalada na comunidade São Raimundo do Jarauá, dentro da RDS, onde mais de cem pessoas participam da contagem da população enquanto preparam a infraestrutura sanitária para realizar o início do abate, ainda no final deste ano.

“Estimamos iniciar o abate jacaré-açu com até cem animais, o que é pouco para o contexto do manejo da espécie, já que contabilizados cerca de 5 mil animais prontos para o abate, excluindo fêmeas e filhotes”, explica o pesquisador Robinson Botero-Arias, que coordena o projeto de manejo experimental de jacarés no Instituto Mamirauá, em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

Numa projeção otimista, Arias acredita que a carne de jacaré-açú deverá chegar ao comércio da cidade de Tefé e arredores já no início do próximo ano, ainda como parte da implantação da cadeia produtiva e comercial que envolve a comunidade na atual etapa do plano de manejo da espécie.

“Cumprimos as etapas de contagem da população saudável e identificação dos locais onde jamais faremos extração de jacaré, como aqueles pontos onde os animais colocam ovos, para garantir a sobrevivência da espécie a longo prazo”, explica Botero-Arias. “Restará iniciar o abate e testar a inserção dos projetos, como carne de jacaré em diferentes cortes para hotéis, supermercados e pousadas da região, a R$ 15 o quilo, um valor ainda sob análise”, ressalta o pesquisador.

Mais de cem pessoas da comunidade do Jarauá participaram da coleta de dados sobre as espécies. E, embora a planta de abate esteja instalada, não foram poucas as dificuldades técnicas e burocráticas enfrentadas pelo grupo para estruturar o manejo dos jacarés na área.  “Temos que comemorar que há muitas mulheres participando na superação desses desafios. A questão da infraestrutura exigiu mobilização de todos”, avalia o pesquisador.

Entre os principais problemas para a instalação da Plantar, Botero-Arias explica que as questões sobre saneamento e a necessidade de construção de uma fonte de energia por meio de placas solares foram totalmente superadas. “Estamos prontos para começar. Queremos a melhoria econômica para a vida das pessoas mas associada a uma estratégia bem sucedida de conservação para os animais”, disse.

Programa

O programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de jacaré tem como objetivo gerar informações biológicas e ecológicas das quatro espécies de jacarés amazônicos: Melanosuchus niger (jacaré-açu), Caiman crocodilus (jacaretinga), Paleosuchus palpebrosus (jacaré-paguá) e Paleosuchus trigonatus (jacaré-coroa). O aproveitamento do couro dos animais abatidos também é motivo de debate entre os profissionais envolvidos na implantação do manejo.

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Assuntos jacaré açú, manejo, ribeirinhos
Redação 27 de maio de 2019
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