
Do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – A bancada do Rio na Câmara votou majoritariamente a favor do decreto de intervenção na Segurança Pública do Estado. Dos 42 deputados, 33 apoiaram a medida. A deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), que desistiu de tentar assumir o Ministério do Trabalho, não compareceu à votação, apesar de estar em Brasília.
O decreto foi aprovado por 340 deputados, recebeu 72 votos contrários e uma abstenção. O texto deve ser analisado ainda nesta terça-feira, 20, pelo Senado.
De malas prontas para o PT, o deputado Celso Pansera (MDB-RJ) também votou contra a intervenção, mostrando-se alinhado com a orientação de seu futuro partido. Na Rede, o deputado Alessandro Molon (RJ) foi o único a votar contra a medida. Seu colega, Miro Teixeira (RJ), votou a favor.
Um raio-X da votação mostra que os votos contrários ao decreto sobre a intervenção no Rio se concentraram no PT, PCdoB e PSOL, que votaram fechado contra a medida.
Entre os parlamentares da base aliada, surpreenderam alguns votos contra a medida adotada pelo governo federal, como os dos deputados Newton Cardoso (MDB-MG) e João Gualberto (PSDB-BA) e do Delegado Waldir (PR-GO), que é membro da bancada da bala.
Ex-vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (Avante-MA) também não apoiou a medida. No PP, o único voto contra a intervenção foi do ex-governador de Santa Catarina, Esperidião Amin (PP-SC).
Mesmo estando na oposição, o PSB votou em peso a favor da intervenção, com exceção da deputada Janete Capiberibe (PSB-AP).
As bancadas do DEM, PDT, Solidariedade, PTB, PHS, PPS, PSL, PRB, PSC e PSD deram 100% dos votos a favor da medida.
Ministério do Trabalho
A deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) afirmou nesta terça-feira, 20, que o partido indicou o ministro interino do Trabalho, Helton Yomura, para ser efetivado no cargo em seu lugar. “Meu pai, Roberto Jefferson, acertou a indicação de Yomura com o ministro Carlos Marun”, disse a deputada.
O nome de Yomura, no entanto, enfrenta resistência dentro bancada de deputados do PTB. O Broadcast Político flagrou o ex-ministro da pasta Ronaldo Nogueira (PTB-RS) fazendo lobby contra a efetivação do ministro interino. “Se deixar ele lá, vai ser terra arrasada para todos nós”, disse Nogueira ao deputado Paulinho da Força (SD-RS), em conversa no plenário da Câmara.
Para a bancada, o ideal é que o novo ministro fosse um deputado do partido. Há, no entanto, dificuldades em achar um nome, porque a maioria dos parlamentares deseja disputar a reeleição e o prazo de desincompatibilização está cada vez mais próximo: 7 de abril.
Jefferson anunciou nesta terça pelo Twitter que desistiu de indicar a filha para o cargo diante da “indecisão” da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia. Na semana passada, a ministra determinou que a competência para julgar o caso era do Supremo e não do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que havia liberado a posse de Cristiane como ministra. Na prática, até que o plenário do Supremo julgasse o caso, a deputada ficaria impedida de assumir o Ministério.
“A decisão do partido visa proteger a integridade de Cristiane e não deixar parada a administração do Ministério. Agradecemos ao presidente Michel Temer e aos companheiros do partido pelo apoio e respeito com Cristiane Brasil durante esse período de caça às bruxas”, afirmou Jefferson.
