
Do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta terça-feira (3) em entrevista coletiva, que é inadmissível o ofício enviado pelo governo norte-americano ao Brasil com ameaça ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
Lula afirmou que o governo brasileiro vai “defender” o ministro e a Corte Suprema. “É inadmissível que o presidente de qualquer país do mundo dê palpite sobre a decisão da Suprema Corte de qualquer outro país”, afirmou.
O presidente ainda criticou o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está nos Estados Unidos. Ele classificou como “lamentável” que o parlamentar esteja no país “pedindo intervenção na política brasileira” e chamando a ação de “terrorista”.
“Isso, sim, é desrespeito ao Brasil. Isso, sim, é provocação”, disse Lula, voltando a criticar o ex-presidente Bolsonaro pelos seus ataques à Justiça Eleitoral. “Bolsonaro não nega os votos que os filhos dele receberam, só os dele”, completou.
IOF
Sobre o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), Lula disse não foi um erro do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e atribuiu a medida a um “afã” do ministro para dar respostas rápidas à sociedade sobre esse tema.
O presidente garantiu que outras possibilidades serão estudadas, mas não respondeu se está disposto a discutir desvinculações como alternativa ao IOF.
Lula disse que o aumento do imposto foi uma tentativa de fazer um “reparo”, porque o Senado descumpriu uma decisão do STF de compensar a desoneração da folha de pagamentos.
“O Haddad, no afã de dar uma resposta logo à sociedade, apresentou uma proposta que elaborou na Fazenda. Se houve uma reação, de que tem outras possibilidades (para a alta do IOF), nós estamos discutindo”, afirmou Lula, em entrevista coletiva à imprensa.
“Era uma sexta-feira e eles queriam anunciar rápido isso para dar tranquilidade à sociedade brasileira. Eu não acho que isso tenha sido um erro, não. Acho que foi um momento político. Em nenhum momento o companheiro Haddad teve qualquer problema de discutir o assunto. A apresentação do IOF foi o que eles tinham pensado naquele instante. Se aparece alguém com uma ideia melhor, ele topa discutir. Vamos discutir. É isso que a gente tem que fazer”, acrescentou.
O presidente relatou que houve uma reunião no domingo à noite, no Palácio da Alvorada, para debater alternativas ao IOF. Defendeu, ainda, que é necessário dialogar com “parceiros” – citando os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e líderes partidários – antes de enviar qualquer medida ao Congresso.
LUla afirmou que a Fazenda está em um esforço para “dar tranquilidade ao povo” nas negociações.
Fraude no INSS
O presidente da República disse que o governo federal vai ter que tomar uma decisão caso as entidades investigadas pelo escândalo do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) provem que são inocentes.
Segundo Lula, os descontos indevidos começaram após um “afrouxamento” feito no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Houve um afrouxamento no governo passado das regras. Ou seja, as pessoas começaram a mandar nomes sem a nenhuma fiscalização, sem nenhum critério”, disse Lula, em entrevista coletiva à imprensa na qual abordou diversos assuntos do governo federal.
(Reportagem: Por Cícero Cotrim, Gabriel de Sousa, Gabriel Hirabahasi e Victor Ohana)
