
Por Luiz Araújo, Iander Porcella e Victor Ohana, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou nesta quinta-feira (25) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se envolver mais no recebimento de parlamentares. “Quanto mais o presidente se envolve no processo, mais ele sente a temperatura”, defendeu em entrevista à GloboNews.
Na avaliação de Lira, vetos do Planalto deram “muito choque” na relação com o Parlamento, o que, para ele, “foi um problema de articulação do governo”.
O presidente da Câmara disse que muitas matérias aprovadas no Congresso, principalmente as mais econômicas, foram votadas sem o governo ter base no Parlamento.
Lira avaliou que a tendência política para os próximos anos, com a redução de partidos, é de que parlamentares ficarão mais vinculados ao que os partidos defendem.
“Há quem defenda, como eu defendo, o regime de semipresidencialismo. O presidencialismo de coalizão não funciona mais, mas temos que respeitar o modelo que cada governo escolhe”, afirmou.
Caso Marielle
Arthur Lira afirmou que não interferiu na avaliação do Congresso sobre a manutenção da prisão do deputado Chiquinho Brazão, preso suspeito de ser um dos mandantes da morte da vereadora Marielle Franco.
“Não pedi voto a nenhum parlamentar nem para soltar nem para prender”, afirmou. Segundo o presidente da Câmara, não fosse a repercussão do caso Marielle, “dificilmente Brazão estaria preso”.
Lira afirmou que deve se reunir com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para “resolver o que pode avançar no Senado sobre prerrogativas parlamentares”.
