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Dia a Dia

Licença para BR-319 sem ouvir indígenas abre brecha à judicialização

2 de agosto de 2022 Dia a Dia
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Ibama emitiu licença prévia para obras no trecho da BR-319 entre Porto Velho e Manaus (Foto: OBR-319/Orlando K Jr)
Ibama emitiu licença prévia para obras no trecho da BR-319 entre Porto Velho e Manaus (Foto: OBR-319/Orlando K Jr)

Da Redação

MANAUS – A licença prévia para reasfaltamento do “Trecho do Meio” da BR-319, entre os quilômetros 250 e 655,7, sem ouvir povos tradicionais tende a gerar ações na Justiça que atrasarão ainda mais a recuperação de parte da rodovia entre Manaus e Porto Velho (RO).

O alerta é do Observatório BR-319, que reúne 10 organizações civis. A entidade considera a autorização um avanço para a infraestrutura rodoviária, mas um retrocesso no respeito aos direitos de povos da floresta.

“Salta aos olhos a violação dos direitos dos povos da floresta no processo de licenciamento das obras da BR-319. A gestão pública não pode cometer os mesmos erros do passado, na década de 1970, e ignorar indígenas e comunidades tradicionais. Isso coloca em risco o bom andamento do processo e abre brechas para judicializações e mais atrasos”, avalia a secretária executiva do Observatório BR-319 (OBR-319), Fernanda Meirelles.

“Além disso, vemos com grande preocupação a emissão da licença prévia neste momento de disputa eleitoral, a decisão tem evidente motivação política e eleitoreira”, completa Meirelles.

O diretor da WCS Brasil, organização membro do OBR-319, Carlos César Durigan, diz que é impossível concordar com a viabilidade ambiental anuída pelo Ibama. “Ainda existem pontas soltas no processo todo e, neste caso específico, basicamente não temos garantias das agências ambientais sobre as ações de fiscalização, controle e monitoramento, nem da obra em si e seus impactos diretos”, avalia.

“Muito menos dos tantos problemas já registrados e relatados às instituições envolvidas, como tem sido o caso de abertura de ramais, ocupação de terras públicas destinadas – Unidades de Conservação (UCs) e Terras Indígenas (TIs) – e não destinadas, que têm levado a uma explosão da degradação e desmatamento em toda a área de influência da BR-319”, diz Durigan. 

Ele alerta que a pressa sempre foi a inimiga do processo de licenciamento das obras na BR-319 e razão pela qual tem demorado tanto. “Ao longo de todo o processo, e nos últimos anos, o que temos visto é uma resistência dos órgãos envolvidos em fazer acontecer as etapas de levantamento de informações e as consultas prévias, livres e informadas aos povos indígenas e comunidades locais, como é preconizado pela Convenção nº169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)”, recorda.

“Essas, inclusive, têm sido as principais causas de travamento do processo de asfaltamento e manutenção. Fazer direito já demandaria muito tempo e paciência, mas fazer de modo capenga vai levar a mais questionamentos e não deve agilizar o asfaltamento, e sim gerar aberturas a processos jurídicos. Além do que, irá repercutir de forma negativa no cenário nacional e internacional”, avalia Durigan. 

O Observatório BR-319 afirma que não é contra a reconstrução da rodovia, mas se posiciona na defesa de um processo de licenciamento transparente, democrático e inclusivo, que ouça e dê voz a quem mora em territórios tradicionalmente ocupados ao longo da rodovia e que sofrerá as piores consequências de um processo marcado por violações.

Confira a nota na íntegra AQUI.

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Assuntos destaque, Dnit, Ibama, licenca previa, obr-319, observatorio, repavimentacao br-319
Redação 2 de agosto de 2022
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