
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS — Dezoito barcaças produzidas em Manaus serão usadas no transporte marítimo de combustíveis da Petrobras para os principais portos do país, entre eles os de Santos, Rio de Janeiro e Belém.
A iniciativa foi anunciada nesta quarta-feira (27) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento no Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, responsável pela construção das embarcações encomendadas pela Transpetro ao custo de R$ 303,5 milhões.
“É a primeira vez que este estaleiro vai produzir uma barcaça que vai adentrar o Oceano Atlântico e levar cargas para o Rio de Janeiro, São Paulo, Belém e outros lugares”, disse Lula.
No evento, a Petrobras também anunciou a retomada dos investimentos na produção de petróleo e gás em Urucu, com aporte de cerca de R$ 2,5 bilhões para perfuração de novos poços e instalação de aproximadamente 40 quilômetros de linhas de conexão.
Os investimentos, que somam R$ 2,8 bilhões, serão aplicados até 2030 e devem gerar 14 mil empregos diretos e indiretos na indústria petrolífera e outros 3,3 mil no setor naval.
Barcaças
De acordo com o presidente, a fabricação de barcaças em Manaus busca reduzir a dependência do Brasil de outros países e, ao mesmo tempo, gerar emprego e renda no país. “O que nós temos que fazer para os ricos é fazer o que estamos fazendo aqui. Tem um empresário brasileiro que tem um estaleiro de primeira qualidade, tem expertise em produzir barcaças aqui”, disse Lula, em referência a Irani Bertolini, fundador e presidente do Grupo Bertolini.
“Ao invés de a gente ir para a China, Coreia ou Singapura, a gente tem que vir para Manaus produzir aqui neste estado. Isso significa soberania, respeito à pátria e ao povo brasileiro. Significa acreditar no Brasil”, completou o presidente.
As barcaças integram uma frota de 400 embarcações que atuam no apoio ao transporte de combustíveis, abastecimento de navios e comercialização de produtos.
Ao rebater argumentos de que a compra local seria mais cara do que a importação, Lula afirmou que a Petrobras precisa “pensar no Brasil”. “A Petrobras não tem que pensar só nela enquanto empresa. Tem que pensar no Brasil, que é o dono dela. Não é ela a dona do Brasil. Ela tem que pensar o seguinte: temos que utilizar o potencial de uma empresa do porte da Petrobras”, disse o presidente.
“Se a gente não fizer essas barcaças aqui, não gera emprego, não gera conhecimento tecnológico e não forma bons profissionais”, acrescentou.
Lula também afirmou que o Brasil possui estrutura suficiente para ampliar a produção naval. O minério de ferro é nosso, a siderúrgica é nossa, os estaleiros são nossos, a Petrobras é nossa. Por que temos que comprar dos outros? A gente só compra dos outros aquilo que não tem, não produz ou não sabe fazer”, declarou.
O presidente afirmou ainda que pretende ampliar o número de empregos no setor naval. Segundo ele, o número de trabalhadores da indústria naval era inferior a 20 mil em 2003, quando assumiu o primeiro mandato.
“Quando eu assumi a presidência em 2003, a gente tinha menos de 20 mil trabalhadores na indústria naval. Nós chegamos a 82 mil trabalhadores em 2014. Depois deram o golpe na Dilma e caiu para 16 mil outra vez. Já estamos em 75 mil e meu sonho é chegar a 100 mil, pois quem constrói uma barcaça constrói duas, três, quatro barcaças, e nós não temos que ficar implorando para comprar de fora”, disse Lula.
“O Brasil tem 8 mil quilômetros de costa marítima. O Brasil precisa de muita barcaça e de muito navio. E a gente tem déficit na balança comercial do transporte marítimo. Se nós sabemos fazer, se temos mulheres e homens que sabem produzir, por que a gente tem que comprar de fora?”, questionou o presidente.
A partir de 2028, a parceria entre a Petrobras e a Amazônica Energy, firmada em novembro do ano passado, entrará em operação e deverá ampliar a segurança energética da Região Norte em pelo menos 100 mil metros cúbicos por dia.
A atuação da Petrobras no Amazonas é responsável pela geração de cerca de 14 mil empregos diretos e indiretos. Em 2025, a arrecadação de tributos e participações governamentais destinados ao Estado somou R$ 1,5 bilhão, sendo a Petrobras a maior contribuinte de ICMS do Amazonas.
Trump
Ao comentar sobre o prestígio internacional da Petrobras, Lula afirmou que o México demonstrou interesse em firmar parceria com a estatal brasileira para realizar estudos de prospecção de petróleo em águas profundas no Golfo do México. O presidente também mencionou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“A Petrobras é muito respeitada no mundo. A presidente do México, minha amiga Cláudia, me ligou e falou: ‘Eu estava precisando falar com a Petrobras porque quero fazer prospecção de petróleo em águas profundas no Golfo do México’. Magda, vá lá. Vamos fazer associação com a Pemex e vamos ao Golfo do México para ver se o companheiro Trump vai se meter com a Petrobras prospectando a 2,5 mil metros de profundidade. Para a Petrobras, isso é um açude, águas rasas”, disse Lula.
