
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS – A Justiça do Amazonas marcou para o dia 17 deste mês a retomada do julgamento de três acusados pela morte do jovem indígena Melquisedeque Santos do Vale, o Mélqui, que tinha 20 anos. O crime ocorreu em dezembro de 2021 dentro de um ônibus de passageiros em Manaus. Melquisedeque havia acabado de sair do trabalho e estava indo para casa.
A primeira audiência ocorreu no dia 27 de outubro de 2022, mas naquele dia uma vítima e testemunhas faltaram na reunião e o MP pediu para analisar a necessidade de ouvi-las em outra data. Em novembro, o promotor de Justiça Darlan de Queiroz pediu a retomada do julgamento e desistiu de ouvir uma das testemunhas por não conseguir localizá-la.
São réus nesse processo Janderson Cabral Cidade, de 20 anos, Lucas Lima, de 25 anos, e Davi Souza da Silva, de 23 anos. Segundo o MP-AM (Ministério Público do Amazonas), autor da denúncia, o trio entrou no ônibus da linha 444 vestido de gari para roubar celulares e dinheiro de passageiros. Sem motivo, Janderson disparou na cabeça de Mélqui, que morreu na hora.
Ainda de acordo com o MP, após cometer o crime, o trio exigiu que o motorista do ônibus parasse o veículo para que eles descessem e fugissem por um matagal. Conforme a promotora de Justiça Leda Mara Albuquerque, o “comparsa que conduzia o automóvel destinado ao auxílio e fuga dos denunciados também evadiu-se”. O MP ainda não identificou quem era o “piloto de fuga”.
Lucas foi preso no dia 16 de março em uma rua do bairro Cachoeirinha, na zona sul de Manaus, e apontou Janderson como autor do disparo contra Mélqui. No dia seguinte, 17 de março, policiais militares localizaram e prenderam Janderson em uma casa no bairro Monte das Oliveiras, na zona norte de Manaus, após denúncia anônima.
Janderson e Lucas foram denunciados pelo MP no dia 4 de abril de 2022, ocasião em que Leda Mara solicitou à polícia que localizasse e interrogasse Davi, que havia sido mencionado por Janderson. No dia 7 daquele mês, acompanhado de uma advogada, Davi compareceu à Derfd (Delegacia Especializada De Roubos, Furtos e Defraudações) para prestar depoimento.
Documento da Polícia Civil que o ATUAL teve acesso aponta que, em depoimento, Davi confirmou a participou na ação criminosa que resultou na morte de Mélqui. Ele disse que Lucas era o “cabeça do grupo” e foi quem deu a ideia de fazer assalto no veículo. Também afirmou que foi Janderson quem disparou contra o jovem indígena usando uma arma caseira.
Ainda conforme o documento, Davi negou que o motorista que deu suporte ao grupo estava em um carro Renault/Symbol, da cor vermelha, como apontaram denúncias anônimas que levaram à prisão de um homem que não foi denunciado pelo MP. Segundo David, o motorista que auxiliou na ação criminosa estava em um carro Classic, de cor preta.
No dia 7 de abril de 2022, o delegado Ismael Schettini Trigueiro, da Derfd, indiciou Davi como um dos autores do crime contra Mélqui após o jovem de 23 anos ter confessado participação na ação criminosa no ônibus da linha 444. Davi foi incluído pelo Ministério Público na denúncia contra Janderson e Lucas no dia 10 de abril.
