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Dia a Dia

Juiz solta médico preso por morte de bebê após promotor faltar à audiência

7 de abril de 2026 Dia a Dia
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Médico Humberto Fuertes Estrada aparece em bar em imagem de câmera de monitoramento (Imagem: PC-AM/Divulgação)
Médico Humberto Fuertes Estrada estava em bar e não atendeu chamado para parto em hospital Eirunepé (Imagem: PC-AM/Divulgação)
Do ATUAL

MANAUS – O juiz Odílio Pereira Costa Neto, da Vara Única de Eirunepé (a 1.660 quilômetros de Manaus), concedeu liberdade provisória ao médico Humberto Fuertes Estrada, acusado de homicídio qualificado de um bebê. A decisão ocorreu após a audiência de instrução na segunda-feira (6) ser cancelada por falta de promotor. O réu estava preso preventivamente há 130 dias.

O motivo do cancelamento foi o afastamento por doença do promotor titular e a Procuradoria-Geral de Justiça não designou um substituto, mesmo após o juízo ter enviado ofício alertando para a situação. “Não houve resposta ou designação em tempo hábil”, registrou o magistrado na decisão.

Para o juiz, manter o réu preso seria inconstitucional. “A ausência de um representante do Ministério Público para atuar no feito não pode, sob nenhuma hipótese, ser um ônus a ser suportado pelo réu”, afirmou. “Trata-se de uma falha estrutural do Estado que impacta diretamente o direito do acusado a um julgamento célere”.

O magistrado também menciona que a instrução avançou, com a mãe da vítima e duas testemunhas ouvidas, e que o acusado, custodiado em Manaus, estava distante das demais testemunhas, seus ex-colegas no hospital de Eirunepé. Com isso, o risco de interferência na prova diminuiu.

“Manter a prisão preventiva diante de um cenário de paralisação indefinida da instrução, causada exclusivamente por questões administrativas de outro Poder, representaria um flagrante violação ao princípio da razoabilidade e transformaria a custódia cautelar em uma antecipação de pena sem perspectiva de término”, concluiu o magistrado.

A liberdade foi concedida sem fiança, com uso de tornozeleira eletrônica, proibição de sair de Manaus sem autorização judicial e vedação de contato com testemunhas. O descumprimento de qualquer condição pode levar à prisão imediata.

O médico, que estava de sobreaviso no plantão, não compareceu ao hospital nem atendeu às ligações quando uma adolescente de 17 anos deu entrada para o parto. Ele só apareceu cerca de cinco horas depois, quando o bebê sofria complicações graves (broncoaspiração de mecônio), que levaram à morte.

A Polícia Civil constatou que o médico estava em um bar horas antes.

Confira a decisão na íntegra.

Decisão de juiz que soltou médico acusado de morte de bebê no partoBaixar

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Assuntos Bebê, destaque, Eirunepé, médico, tornozeleira
Thiago Gonçalves 7 de abril de 2026
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