
EDITORIAL
MANAUS – Muito se criticou a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de proibir a emissora de rádio Jovem Pan de repetir as ofensas que levaram à concessão de três direitos de resposta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Especialistas” consideraram a decisão como censura à emissora de rádio de São Paulo, que tem alcance nacional graças à internet.
Analisar a decisão sem tomar conhecimento do que a Jovem Pan vem fazendo há pelo menos quatro anos contra a esquerda, o PT e Lula, e do conteúdo que tem produzido neste período eleitoral, fatalmente considera censura a decisão. Mas a proibição tem um sentido de prevenção de novos ataques, que certamente seriam produzidos pelos apresentadores e comentaristas da emissora.
Os ministros do TSE aprovaram, no dia 17, por 4 votos a 3, os recursos apresentados pela campanha de Lula para permitir que o petista rebata afirmações de que ele mente, não foi “inocentado” e que irá perseguir cristãos. E determinou que os comentaristas da emissora não devem reproduzir as mesmas críticas contra Lula, sob pena de multa de R$ 25 mil “por reiteração ou manutenção da conduta nos citados meios de comunicação”.
A Jovem Pan, desde 2018, abraçou Bolsonaro, trabalhou para elegê-lo, e passou os anos de seu governo fazendo proselitismo político disfarçado de jornalismo. O jornalismo da Jovem Pan, que teve anos de glória nas últimas décadas do século passado e início deste século, foi transformado em um conteúdo panfletário com a advento do bolsonarismo.
Na campanha eleitoral, a emissora de rádio – que é concessão pública e, portanto, deve se curvar à legislação vigente no país – passou a atuar como se fosse um horário eleitoral paralelo, com apenas um candidato: Bolsonaro.
Durante 24 horas, a emissora produz conteúdo panfletário para atacar Lula. Seus apresentadores, comentaristas e apoiadores do presidente da República trabalham de forma incansável como se fosse uma produtora de conteúdo de propaganda eleitoral. Os desafetos da esquerda, do PT e de Lula têm espaço garantido, enquanto a emissora nega espaço aos adversários de Bolsonaro.
O TSE concedeu direito de resposta ao candidato e à campanha do PT na emissora por violar as leis que regem a radiodifusão e as eleições. Nesse período de eleição, as emissoras são livres para fazer jornalismo e seus profissionais podem emitir opinião, mas ninguém está livre para produzir conteúdo caracterizado como propaganda eleitoral para favorecer o candidato A ou B, nem disseminar mentiras ou promover ataques à honra de pessoas (considerado crime pelo Código Penal Brasileiro).
O direito de resposta é o remédio adequado quando uma pessoa é atacada em sua honra. Mas no caso da Jovem Pan, só o direito de resposta seria medida insuficiente, porque, como atua como partido político disfarçado, a artilharia contra o candidato desafeto teria poder letal muito maior. Sem a proibição de voltar à carga com os mesmos assuntos sobre os quais se concedeu o direito de resposta, a medida do TSE seria inócua.
Como concessão pública, a Jovem Pan deveria ser retirada do ar durante o período da eleição, porque faz não faz jornalismo, mas um horário eleitoral paralelo. A partir da decisão do TSE, novos conteúdos inverídicos e novos ataques foram produzidos pela emissora em desfavor do candidato do PT. E certamente vai ser assim até a eleição.
Nada a impediria a empresa responsável pela outorga de continuar apresentado seus programas nas redes sociais, mas até nestes espaços, é preciso se manter o equilíbrio da cobertura jornalística.
Uma emissora de TV e rádio, não pode, sem violar a legislação do país, se comportar como a milícia digital como as montadas no Brasil para disseminação de mentiras.
Nestas eleições a produção de mentiras está tão escancarada que as pessoas perderam completamente o senso de responsabilidade. Um fato concreto: um pastor chamado Silas Malafaia fez um recorte da fala de Lula em que ele, se referindo a Bolsonaro, dizia que, na visão do presidente, “político tem que mentir”. O pastor conseguiu mudar o sentido da fala de Lula, tirando-a de contexto, para parecer que é Lula e não Bolsonaro quem pensa que “político tem que mentir”.
É esse tipo de conteúdo, que atropela a verdade dos fatos, que distorce significados, que potencializa factóides que estão sendo reproduzidos nos canais que optaram por defender a candidatura de Bolsonaro. E fazem isso sem qualquer limite ético e moral, numa tentativa desesperada de manter o mandatário no poder.


Boa noite.
Excelente posicionamento acerca da proibição pelo TSE da Jovem Pan continuar a despejar e desferir notícIas mentirosas sobre o candidato adversário – Lula Inácio da Silva.
Acredito como voces, que todos os brasileiros devam conhecer a verdade sobre o ex-presidente Lula, Dilma e por fim de Michel Temer sobre o que cada qual teve participação naquilo considerado errado, bem como naquilo que foi adotado para os brasileiros e que teve um resultado positivo. Álias, deveraim fazer a mesma coisa com o Presidente Bolsonaro, contando sobre seus feitos como soldado, sua admiração sobre o golpe de 64 e seus torturadores, seus feitos polícos desde vereador até presidente, explicar melhor o que são rachadinhas, enfim… poderíamos assim avaliar cada qual e tomarmos uma melhor decisão usando os pesos corretos de ambos os lados
O Brasil é muito grande para que as boas medidas sejam incorporadas pelo povo brasileiro de maneira rápida, contudo, tudo aquilo verseja como mentira, tem o poder de um rastilho. Infelizmente o estrago é maior, pois é mais fácil ouvir e decorar uma mentira e disseminala com detalhes mais pavorosos. “Quem conta um conto, aumenta um ponto”.
Seria bastante proveitoso para todos se a Associação de Empresas Jornalisticas, se posicionasse sobre o tema.
Também, concordo que a Jovem Pan deveria ser suspensa de suas atividades até o término da Eleição, considerando que funcional como um Gabinete de Ódio ou melhor uma sucursal,
Parabéns