
Danielle Brant, da Folhapres
BRASÍLIA, DF – A deputada Joice Hasselmann (SP) entrou nesta segunda-feira, 14, com ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pedindo desfiliação por justa causa do PSL, argumentando sofrer perseguição política no partido por seu posicionamento contrário ao presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL, hoje sem partido).
Joice chegou a ser líder do governo no Congresso até ser retirada do cargo durante o racha no PSL iniciado com a briga pública entre Bolsonaro e o presidente do partido, o deputado Luciano Bivar (PE).
Na ação, a deputada acusa Bivar de ser o principal responsável pela perseguição interna que sofre.
A ação junto ao TSE pede “reconhecimento de justa causa para desfiliação e consequente filiação a outro partido que reconheça o que lhe trouxe uma deputada federal de 1 milhão de votos, retribuindo-lhe a fidelidade partidária com que a filiada sempre tratou o partido, mas não recebeu de volta, especialmente após a eleição da Câmara.”
Na disputa mencionada, Bivar foi eleito primeiro-secretário da Câmara, em um acordo que incluiu a indicação do deputado Vitor Hugo (PSL-GO) como líder do partido na Casa e da bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF) como presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
“Meu rompimento com o partido internamente já aconteceu desde a eleição para a Mesa da Câmara. Eu inclusive saí do grupo raiz, depois que o Bivar me ameaçou no grupo, dizendo que tínhamos que resolver a situação, como se fosse coronel de partido pequeno”, afirma Joice.
“Entregar a liderança do partido na Câmara para o Vitor Hugo é entregar ao Bolsonaro”, diz ela, que ainda acusa Bivar de ter entregado as principais comissões da Casa a bolsonaristas.
“Eu cobrei do Bivar, dizendo que a culpa era exclusivamente dele nós termos Bia Kicis na CCJ, uma doida como a Carla Zambelli comandando uma comissão [do Meio Ambiente].”
Joice diz que Bivar sacrificou todos os que foram leais à legenda e às bandeiras que elegeram os deputados. “É muito clara a perseguição ali”, afirma. “O PSL que deixa a porta aberta para o Bolsonaro não é um partido que me representa. Eu já cometi esse erro uma vez, entrar num partido que estava agarrado nesse maluco, em quem eu acreditei, na ânsia de tirar o PT do poder. Eu não vou cometer esse erro duas vezes.”
Na avaliação da deputada, ao deixar a porta aberta a Bolsonaro após o presidente sair da legenda para tentar criar um partido próprio -a Aliança pelo Brasil, que não saiu do papel-, o PSL “se vendeu”. “Eu não faço parte dessa negociata.”
Joice afirma ainda que foi censurada no PSL. “O líder do partido tem o poder de cercear e de calar deputado. Então, desde que houve essa eleição, meu microfone foi retirado. Eu não tenho voz, eu não tenho microfone.”
Segundo Joice, cinco partidos a procuraram e com três a conversa está bem adiantada. “São cinco partidos com os quais eu tenho alguma afinidade”, diz ela, que afirma que um dos pré-requisitos para a escolha será a possibilidade de atuar na capacitação de mulheres. “É uma coisa que eu já ia fazer, independentemente de partido, e agora eu vou juntar isso numa questão partidária.”
No final de maio, o TSE autorizou a deputada federal Tabata Amaral (SP) a se desfiliar do PDT, sob a alegação de justa causa, depois de ter votado a favor da reforma da Previdência, em 2019.
Em abril, o TSE concedeu vitória semelhante aos deputados Felipe Rigoni (ES) e Rodrigo Coelho (SC), que ganharam o direito de deixarem o PSB preservando o mandato. Eles também foram enquadrados pela sigla por votarem a favor da reforma da Previdência.
