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Política

Hugo Motta nega acordo sobre anistia a Bolsonaro para desocupação da Mesa Diretora

8 de agosto de 2025 Política
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Hugo Motta proibiu uso de panfletos e cartazes nos plenários da Câmara (Foto: Marina Ramos/Agência Câmara)
Hugo Motta afirmou que não negociou pauta da anistia com bolsonaristas (Foto: Marina Ramos/Agência Câmara)
Por Pepita Ortega, do Estadão Conteúdo

BRASÍLIA – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta sexta-feira (8) ter ressaltado à oposição que não negociaria a pauta da Casa para reassumir sua cadeira, ocupada até a quarta-feira por bolsonaristas.

“Isso está bem explícito e colocado”, afirmou, ponderando que outros partidos poderiam repetir a estratégia. “Era um precedente gravíssimo que se abriria. É só ir lá sentar na mesa e dizer que só sai quando votar a pauta que aquele partido quer. E isso não é aceitável”. Ele disse que o colégio de líderes é o foro adequado para que os deputados decidam a pauta.

Segundo Motta, o presidente da Câmara não pode privilegiar determinadas matérias, tem que ser um “árbitro” e cabe a ele “administrar a Casa” e os interesses. “Não tem acordo de pauta, nem data para se votar absolutamente nada”, destacou.

O presidente da Câmara disse ainda que o funcionamento da Casa será o mesmo e anunciou que na próxima terça-feira (12) será realizada uma reunião de líderes pela manhã para definir a pauta da semana que vem.

O deputado ainda voltou a falar sobre o caso do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), destacando que não há previsão para exercício do mandato a partir do exterior e apontando que não tratará o filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro “diferente dos outros parlamentares”, sugerindo que a avaliação da conduta do parlamentar será feita de acordo com o regimento.

Punição

Hugo Motta defendeu punição a bolsonaristas que ocuparam sua cadeira na Câmara, considerando que o ocorrido tratou-se de um “ato grave”. “Temos que ser pedagógicos porque o que aconteceu foi grave. Não podemos concordar com o que aconteceu. Até para que isso não volte a acontecer”, completou.

Conforme Motta, a oposição “extrapolou tudo aquilo que poderia ser o limite do razoável esta semana” e foi dito aos parlamentares bolsonaristas que havia um “tremendo excesso em buscar a força” para impedir o funcionamento do Senado e da Câmara dos Deputados.

O deputado repetiu que nunca tinha sido visto um movimento da forma como ocorreu nesta semana. Questionado sobre ter se sentido desrespeitado, Motta afirmou não poder dizer que se sentiu confortável de estar vivendo aquele momento, com parlamentares obstruindo até a passagem do presidente. “Mas entendo também o momento de tensão que todos estavam vivendo. Não era um dia normal”, ponderou.

Motta disse que, se tivesse usado a força policial, talvez estivesse sendo criticado por um parlamentar ter sido agredido. Sem citá-la diretamente, o presidente da Câmara fez referência à deputada Júlia Zanatta (PL). “Tínhamos uma parlamentar com uma criança, como você coloca a força física para retirar uma parlamentar que tem seu mandato?”.

O parlamentar ponderou ainda que, em sua avaliação, a ação da oposição, do ponto de vista político, atrapalha possíveis pautas que partidos de centro poderiam ajudar na construção. O presidente da Câmara destacou que a população espera dos parlamentares o debate, mas com respeito do regimento e da atividade parlamentar.

Motta classificou o episódio de triste e que optou pelo diálogo, “como sempre” fez.

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Assuntos anistia, Câmara dos Deputados, Hugo Motta, Jair Bolsonaro, Mesa Diretora
Cleber Oliveira 8 de agosto de 2025
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