
MANAUS – Nesta semana foi realizado o Grito da Terra Amazonas 2024, uma mobilização que reafirma que a agricultura familiar é alimento saudável e conservação ambiental.
A Agricultura Familiar no Brasil responde por 3,9 milhões de estabelecimentos rurais, ocupando 23% das áreas agriculturáveis. Da Agricultura Familiar vem a maior parte dos alimentos consumidos pela população. No Amazonas, representa 95% dos estabelecimentos rurais.
É desse setor que vem a maioria dos alimentos básicos, como: mandioca, hortaliças, produtos extrativistas, castanha, açaí, óleos vegetais, criações de gado de corte, leite, suínos, aves e peixes. Seja em assentamentos, áreas de conservação, projetos de produtivos, todos contribuem para a preservação das florestas.
O Grito da Terra de 2024 ocorre em todo o Brasil, organizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) e no Amazonas pela Federação dos Trabalhadores Rurais (Fetagri), que engloba todos os sindicatos dos trabalhadores rurais dos municípios do estado.
O Grito da Terra é um momento de mobilizações onde os movimentos sindicais e sociais de trabalhadores rurais, agricultores familiares, povos do campo e das cidades, das águas, indígenas e extrativistas, apresentam cobranças e propostas de políticas públicas junto aos diversos órgãos públicos municipal, estadual e federal.
Dessa luta por terra, cidadania, liberdade e democracia, nasceu o Pronaf, o PAA, o Minha Casa Minha vida Rural, a educação no campo, a aposentadoria rural e a luta pela reforma agrária.
Diversas são as cobranças, junto ao Incra, Conab e MDA, órgãos federais, se cobra mais apoio para a regularização de terras, ampliação da Política de Aquisição de Alimentos e crédito fundiário.
Da mesma forma, são cobrados os órgãos estaduais, Sepror, Idam, Sefaz, ADS,Sect, assim como das prefeituras, política agrícola, assistência técnica, concurso público para ter mais técnicos, ampliação de compras públicas para alimentação escolar e programas de combate a fome e segurança alimentar, regularização de terras estaduais. Junto ao Basa e Afeam, mais crédito, menos burocracia.
Muito importante a cobrança de reforma agrária nas terras da Suframa, seja no Distrito Agropecuário, seja na expansão do Distrito Industrial, onde centenas de pequenos produtores não tem suas terras regularizadas até hoje.
O ato também cobra a recuperação e manutenção de estradas e ramais, para facilitar o escoamento da produção, a concessão de licenciamentos ambientais e o apoio à agroecologia e a pequena agroindústria, bem como a luta pelos direitos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores e agricultores familiares junto ao INSS, com aposentadorias e benefícios.
Por isso, o Grito da Terra deste ano é super importante, porque defende a produção de alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, com sistemas de produção que respeite a vida, o meio ambiente e contribua para o fim da fome no Amazonas.
José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.
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