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Política

Fernandez defende união na América Latina no primeiro encontro com Bolsonaro

2 de julho de 2020 Política
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Da Folhapress

BUENOS AIRES – Na primeira Cúpula do Mercosul realizada por videoconferência, devido à pandemia de coronavírus, o Paraguai transmitiu nesta quinta-feira, 2, a presidência temporária do bloco para o Uruguai. A reunião marcou também a primeira vez em que os presidentes de Brasil, Jair Bolsonaro, e Argentina, Alberto Fernández, encontram-se, ainda que de modo virtual.

Ambos os mandatários haviam trocado farpas durante a campanha eleitoral argentina no ano passado, quando Bolsonaro apoiou o então presidente Mauricio Macri.

O líder brasileiro não foi à posse de Fernández e, mesmo após mais de seis meses de mandato do argentino, não manteve diálogo direto com o chefe de Estado do vizinho mais importante do Brasil. Durante a cúpula, enquanto Bolsonaro apenas mencionou as dificuldades criadas pela crise da Covid-19, o tema foi o principal assunto tratado por Fernández.

Bolsonaro leu seu discurso acompanhado do chanceler Ernesto Araújo e do ministro da Economia, Paulo Guedes. Nele, reforçou que o Brasil estava avançando nas reformas para atrair investimentos e disse que a da Previdência havia sido uma “conquista histórica”.

Também afirmou que instruiu membros do governo a “desfazer opiniões distorcidas sobre o Brasil” no exterior, elogiou a liderança temporária do bloco pelo Paraguai e desejou sorte a Luis Lacalle Pou. O presidente uruguaio, que assumiu o cargo em março, estreou em reuniões do Mercosul. Bolsonaro encerrou dizendo que espera que a Venezuela “retome o caminho da liberdade”.

Alberto Fernández pediu união aos países sul-americanos(Foto: Reprodução / @alferdez)

Já Alberto Fernández discursou da sala de audiências virtuais montada na residência de Olivos, em Buenos Aires. Ele está confinado no local devido a recomendações médicas após pessoas próximas a ele terem contraído o novo coronavírus.

Durante sua fala, tratou basicamente da pandemia e defendeu que “é preciso reforçar a ideia da América Latina como um só país, como foi a ideia de (Simón) Bolívar e de (José de) San Martín”, heróis da independência de diversos países hispano-americanos.

Também afirmou que o novo coronavírus “derrubou tudo, apareceu de repente e revirou o mundo”, enfatizando que a crise econômica que virá depois não será apenas da Argentina, mas de todo o bloco. “A crise que virá será mundial e de dimensões nunca vistas”.

Por isso, argumentou, a integração regional deveria colocar o foco na eliminação das “arestas” nas relações entre os governos. “A reunião do Mercosul é uma reunião dos nossos povos, isso deve ser colocado adiante daqueles que governam hoje”, disse, pedindo que a questão ideológica ficasse em segundo plano nas discussões.

Fernández também evocou o espírito da fundação do bloco, “um esforço original dos ex-presidentes Raúl Alfonsín (Argentina) e José Sarney (Brasil), depois acompanhado pelo Uruguai e o Paraguai”.

Abdo Benítez, presidente do Paraguai, discursou sobre o novo coronavírus com dramaticidade, dizendo que a pandemia era um ‘flagelo’ para a região e que seria necessária uma “plena integração regional para reativar nossas economias”.

Deu como bom exemplo a integração das indústrias automobilísticas e o aumento do comércio digital. Já o uruguaio Lacalle Pou, em sua intervenção de estreia, disse que “não podemos ser ‘mercopessimistas’ nem ‘merco-otimistas’, e sim ‘mercorrealistas’”, e que uma das prioridades seria afinar as discordâncias surgidas nos debates sobre o acordo do bloco com a União Europeia.

Depois das falas iniciais, os presidentes passaram a uma reunião interna, à qual a imprensa não teve acesso. Nos últimos seis meses, o bloco esteve em segundo plano, uma vez que a pandemia se impôs como preocupação regional.

Assim, a Argentina também anunciou, no fim de abril, que se afastaria de “novas negociações” do bloco com outros países, e a gestão de Fernández colocou ressalvas ao acordo assinado, mas ainda não aprovado, do Mercosul com a União Europeia.

Na abertura da cúpula, na quarta-feira, 1º, o chanceler argentino, Felipe Solá, afirmou que essa posição não significa a saída da Argentina do Mercosul, mas que o país apenas será mais exigente sobre os impactos de novos possíveis pactos.

O Uruguai assume a presidência do bloco depois de uma crise interna na cúpula do governo iniciada há algumas semanas, quando o ministro das Relações Exteriores do país, Ernesto Talvi, recebeu a informação de Lacalle Pou de que seria afastado do cargo. Na reunião dos chanceleres, na quarta, Talvi postou sua carta de demissão nas redes sociais.

Membro do Partido Colorado e ex-candidato a presidente, ele vinha enfrentando diferenças em relação a Lacalle Pou, do Partido Nacional. Talvi tem a intenção de presidir a legenda da qual faz parte, e isso seria impossível à frente do Ministério das Relações Exteriores.

Sua gestão como chanceler, porém, foi muito elogiada, por conta da repatriação exitosa de uruguaios no exterior durante a pandemia do novo coronavírus e do trato com estrangeiros que estiveram inicialmente impedidos de desembarcar de cruzeiros no porto de Montevidéu.

Talvi organizou o resgate e a repatriação por meio de uma operação de saúde e de logística, que foi considerada um sucesso.

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Assuntos Alberto Fernández, Mercosul
Cleber Oliveira 2 de julho de 2020
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