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Dia a Dia

Fechamento de escolas causou perda de aprendizado na educação básica

16 de setembro de 2022 Dia a Dia
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Sala de aula vazia na pandemia: perda de aprendizado (Foto: MP-AM)
Por Paulo Saldaña, Isabela Palhares e William Cardoso, da Folhapress

SÃO PAULO – O fechamento das escolas por causa da pandemia de coronavírus resultou em uma queda de aprendizado dos alunos de escolas públicas e privadas em todas as etapas da educação básica, mostram os resultados de avaliação federal realizada em todo país em 2021. Os dados foram divulgados nesta sexta (16).

A maior perda ocorreu em matemática no 5º ano do ensino fundamental, cuja nota na avaliação passou de 227,88, em 2019, antes da pandemia, para 216,85 pontos em 2021. Isso considerando as redes pública e privada. Essa queda interrompeu uma tendência de melhoria experimentada desde o início da série histórica, em 2005.

Na rede pública, a queda foi de 12,36 pontos (passando de 222,41 para 210,05). Essa perda equivale ao aprendizado de um ano, segundo a escala do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica).

A avaliação compõe o principal termômetro da educação brasileira. A aplicação é feita a cada dois anos pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão do MEC (Ministério da Educação).

A avaliação, que envolve provas de português e matemática, compõe um indicador chamado Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), ao combinar resultados de aprovação escolar. Como na pandemia as redes de ensino seguiram orientação de não reprovarem os alunos, os dados do Ideb ficaram prejudicados, indicando um comportamento artificial de melhora.

Em língua portuguesa, o impacto na aprendizagem foi menor no 5º ano. O resultado total do país passou de 214,64 para 208,01, o que representa um recuo de 6,63 pontos – ou meio ano de aprendizado.

O Brasil foi um dos países com maior tempo de escolas fechadas no mundo. Foram quase dois anos letivos sem aulas presenciais. A oferta de ensino remoto foi desigual pelo país.

Nos anos finais do ensino fundamental (9º ano), a queda em matemática foi menor, de 6,52 pontos (passando de 265,16 para 258,64) quando consideradas também escolas públicas e privadas. Em português, o cenário foi de estabilidade nesta série (era 262,30 em 2019 e passou para 260,41 no ano passado).

Já no ensino médio, a nota de matemática passou de 278,53 para 271,00 (perda de 7,53 pontos). Em língua portuguesa, a queda foi mais leve, de 3,56 pontos: de 279,53 para 275,97 entre 2019 e 2021.

Tantos nos anos finais do fundamental quanto no ensino médio os resultados intensificam o cenário preocupante já identificado nas avaliações de anos anteriores. As duas etapas são consideradas grandes gargalos da educação brasileira.

“Essas perdas são recorrentes do longo período de escolas fechadas e também de dificuldades históricas dos nossos sistemas educacionais, estratégias são fundamentais para recuperação de nossos estudantes”, disse o ministro da Educação, Victor Godoy, em entrevista coletiva nesta sexta.

O diagnóstico surge mais de um ano depois do início do retorno presencial mais generalizado, ocorrido a partir de agosto de 2021. Especialistas indicam necessidade de cautela na análise desses resultados, uma vez que cada rede teve uma realidade diferente, seja de capacidade para oferta de ensino remoto ou de possibilidade de retorno presencial.

No Saeb são avaliados estudantes do 5º ano e 9º anos do ensino fundamental, e 3º ano do ensino médio. Há provas amostrais no 2º ano do ensino fundamental e de ciências no 9º ano.

O governo Jair Bolsonaro (PL) não promoveu ações para acompanhar o impacto do fechamento das escolas durante a pandemia. As escolas começaram a ser fechadas em março de 2020.

Não houve no período ações de apoio federal às redes de ensino para a manutenção do ensino remoto ou mesmo para o retorno à escola, o que se agrava entre as prefeituras mais pobres. Os indicadores oficiais de qualidade surgem sem que o MEC tenha um projeto para recuperar as aprendizagens.

Algumas pesquisas pontuais haviam indicado prejuízos de aprendizado para os alunos. Mas somente agora o país tem um diagnóstico mais amplo e que busca alcançar todo país. Os dados divulgados nesta sexta-feira não permitem analisar impactos em populações específicas, como os relacionados a alunos mais pobres e negros, por exemplo.

O ano de 2021 marca o fim do ciclo do Ideb. O indicador foi criado em 2007 e estipulou metas até 2021, na efeméride dos 200 anos da independência do Brasil. Por causa da pandemia, a mensuração sobre o alcance dessas metas fica imprecisa.

A própria realização do Saeb de modo amostral e a decisão de manter a divulgação do Ideb não foram consenso entre especialistas – um grupo defendia a aplicação de avaliações amostrais, para serem feitas com maior velocidade e que pudesse fornecer informações sobre os impactos. O MEC manteve, entretanto, o mesmo modelo de aplicação.

Na edição de 2021, houve participação de 71,27% dos alunos previstos. Um conjunto de 5.320.116 estudantes da educação básica realizou a prova. A consequência disso, além de uma divulgação considerada atrasada com relação aos desafios enfrentados, foi a dificuldade de participação dos estudantes. O MEC teve de alterar as regras de divulgação, reduzindo o percentual mínimo de presença no Saeb, para que houvesse resultados mais amplos.

O Ideb e Saeb sempre são lançados em anos eleitorais. O governo Bolsonaro decidiu fazer a divulgação sem antecipar os dados para a imprensa, quebrando uma tradição do que ocorria nas últimas edições.

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Assuntos aprendizado, Educação Básica, escola pública, manchete, pandemia de Covid-19
Cleber Oliveira 16 de setembro de 2022
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1 Comment
  • ANDRE disse:
    16 de setembro de 2022 às 15:46

    E simplista demais dizer que o fechamento das escolas causou este problema…
    O fechamento das escolas contribuiu sim, mas se os governos tivessem tomado as atitudes corretas em vez de ficar só se queixando e questionando as atitudes que tinham de ser tomadas durante a pandemia, com certeza este problema seria minimizado.
    Muitos alunos não foram providos de recursos mínimos para estudar de casa e muitos professores se viram privados de ferramentas para poder ministrar suas aulas…
    É muito clara a parcialidade da matéria que busca colocar a culpa pelos números ruins da pesquisa na pandemia e não na gestão desastrosa do ensino durante a mesma.

    Responder

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