
Por Teófilo Benarrós de Mesquita , do ATUAL
MANAUS – “No ano que vem estou à disposição do David [Almeida, prefeito de Manaus]. Eu não vou ser candidato a prefeito”, afirmou o vice-prefeito Marcos Rotta (Progressista) na manhã desta quinta-feira (17), em entrevista ao programa O A da Questão, do Amazonas ATUAL.
Vice-prefeito entre 1º de janeiro de 2017, primeiro na administração Arthur Neto (sem partido) e depois no mandato de David Almeida (Avante), Marcos Rotta não pode disputar a reeleição para o mesmo cargo, de acordo com a legislação eleitoral. Restam três alternativas: candidatura a prefeito, vereador ou não disputar a eleição.
A opção de candidatura a prefeito de Manaus em 2024 foi descartada pelo próprio Rotta. “Eu acho muito indelicada uma questão dessa, o vice se insurgir contra o prefeito. Isso não faz parte dos meus conceitos e tenho colocado isso publicamente. Vou ajudar naquilo que eu puder, estarei nas ruas. Vou estar ao lado do David (…), que é a melhor opção”, disse.
Marcos Rotta admite a possibilidade de não disputar cargo algum em 2024, nas eleições municipais. Ele foi questionado sobre o futuro político. “No próximo ano o senhor tem duas opções, eu não sei se tem a terceira: ser candidato a prefeito, a vereador, ou não ser candidato”. Rindo, Rotta respondeu: “Vamos de letra “c”, alternativa “c” [não ser candidato]”.
O vice-prefeito prosseguiu: “Agora 2026 é outro cenário político, uma eleição estadual. A gente precisa analisar. Mas as coisas na minha vida sempre aconteceram de forma muito natural. Foi naturalmente que eu fui deputado estadual, deputado federal, vice-prefeito. Eu não vou tentar inverter essa lógica, que tem dado muito certo. Estou muito tranquilo, muito sereno com relação ao futuro”.
Paranaense de Cianorte, Marcos Rotta chegou em Manaus em 1992 e trabalhou na Semcom (Secretaria Municipal de Comunicação). Em 1996 começou a apresentar o programa “Exiga Seus Direitos”. Dois anos depois iniciou sua trajetória eleitoral.
“Desde 1998 eu nunca fiquei sem disputar nenhuma eleição. Foram sete eleições que eu disputei, graças a Deus, e graças a essa população, sobretudo da cidade de Manaus, eu nunca perdi nenhuma eleição. Mas estou tranquilo, estou sereno. Acho que tudo são fases na nossa vida e acho que percorri esse caminho com altivez, com respeito, com muita responsabilidade, que sempre nortearam meus mandatos”, disse.
Na primeira eleição, em 1998, conquistou vaga para a Assembleia Legislativa do Amazonas, com 12.552 votos. Foi reeleito três vezes: 2002 com 32.741 votos, 2006 (32.178 votos) e 2010 (47.090 votos). Foi eleito deputado federal em 2014, com 117.955 votos. Em 2016 e 2020 disputou as eleições municipais como vice-prefeito.
Em 2016 era apontado como forte candidato para vencer a eleição a Prefeito de Manaus. O fato foi lembrado pelo jornalista Valmir Lima, que também participou da entrevista. “O partido optou por colocar você com vice do Arthur [Neto] e desde lá o Marcos Rotta ficou meio recuado”. “É que a porrada foi seca, Valmir”, respondeu Rotta, filiado ao então PMDB (atual MDB) em 2016.
“Eu não sou uma pessoa de ter mágoas, mas aquele fato me ressentiu muito. Não pelo fato de não ter sido candidato, mas pelo fato de me lançarem como candidato, me permitirem reunir com grandes lideranças da época, para montar um grande plano de governo. Eu estava consciente, trabalhando todos os dias essa possibilidade”, disse Rotta.
“O que me deixou muito chateado naquela época foi que eu trabalhei durante meses nessa possibilidade, quando um belo dia o presidente do me partido chegou e disse que eu não seria mais candidato e que eu teria duas opções: não ser mais candidato a nada ou de ser candidato a vice na chapa de Artur Neto”, revelou.
O medo de avião e cenário político nacional turbulento levaram o então deputado federal Marcos Rotta a aceitar a candidatura a vice. “A gente não tinha emendas, você não tinha como ajudar o Estado. O cenário era muito complicado em Brasília. Em um ano nós cassamos a presidente da República [Dilma Rousseff] e no outro ano cassamos o presidente da Câmara [Eduardo Cunha]”. Um cenário muito ruim, muito adverso”.
“Foram dois anos muito difíceis. Eu já não gosto de avião… Não me adaptei a Brasília. Ainda teve esse cenário diferenciado, talvez o pior cenário da história da República. Eu pensei bem, reuni meus amigos e a gente então decidiu marchar e ser vice, vitorioso, graças a Deus, da gestão passada”, disse Rotta. “Mas eu me ressenti, porque me permitiram sonhar e depois me cortaram de uma forma abrupta”, concluiu.
(Colaboraram Valmir Lima e Felipe Campinas)
