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Dia a Dia

Especialistas pressionam Maia por projeto que quebra patente em razão da Covid-19

21 de maio de 2020 Dia a Dia
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Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército comprou em maio 500 quilos do sal difosfato, a matéria-prima da cloroquina por R$ 652 mil (Foto: TV Globo/Reprodução)
Projeto de lei que estabelece a quebra de patente temporária para medicamentos e insumos usados no combate à Covid-19 (Foto: TV Globo/Reprodução)
Por Fábio Zanini, da Folhapress

SÃO PAULO – Um grupo de 84 especialistas na área de saúde, de diversos países, enviou nessa quarta-feira, 20, uma carta ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pedindo urgência na votação de um projeto de lei que estabelece a quebra de patente temporária para medicamentos e insumos usados no combate à Covid-19.

“Esse projeto de lei certamente promoverá o interesse público ao garantir o acesso a fontes adicionais de suprimentos e de produtos de saúde mais acessíveis”, afirma o documento, organizado pelo Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual, coletivo de organizações da sociedade civil que defende a quebra de patentes em situações de emergência sanitária.

Entre os signatários da carta estão o indiano Anand Grover, que foi relator especial da ONU para a área de Saúde entre 2008 e 2014, além de professores e cientistas ligados a instituições como as universidades de Harvard (EUA), York e Leeds (ambas no Reino Unido).

Ao todo, houve a adesão de especialistas de 28 países, incluindo China, Uganda, Índia. África do Sul e México. No Brasil, assinam a carta pesquisadores e professores da Fundação Oswaldo Cruz e de diversas universidades, nas áreas de saúde e direito comercial.

O projeto foi apresentado à Câmara no início de abril, quando a pandemia no Brasil começava a escalar. Num raro momento de união entre opostos ideológicos, teve a autoria de 11 deputados federais pertencentes a oito partidos, do PT ao PSL.

O objetivo é que, durante a atual crise e em emergências globais futuras, haja o chamado licenciamento compulsório, ou seja, a possibilidade de que outras empresas além da criadora do produto possam fabricá-lo e comercializá-lo. Isso garantiria o suprimento num momento de alta demanda e ajudaria a reduzir os preços.

“Este projeto segue a ação de países como Alemanha, Canadá, Israel, Chile, Equador e Colômbia que adotaram medidas legislativas para favorecer o acesso rápido a tecnologias úteis para conter a pandemia”, afirma o documento.

Segundo a carta, “impedir monopólios é uma medida estratégica e importante, fundamental para aliviar a pressão sobre os sistemas de saúde sobrecarregados”.

A indústria farmacêutica já se posicionou contrariamente ao projeto.

A Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa), que reúne os fabricantes de remédios, afirma que o licenciamento compulsório “representa uma grande ameaça à pesquisa e ao desenvolvimento de novos tratamentos, por inviabilizar a sustentabilidade da pesquisa científica.”

A entidade diz ainda que haveria prejuízo à credibilidade do Brasil, pelo fato de a medida ir contra acordos internacionais de que o país é signatário. Segundo a Interfarma, para um novo medicamento se mostrar seguro e eficiente são necessários em média dez anos de pesquisa e US$ 1 bilhão investidos.

Os defensores da quebra de patente rebatem o argumento dizendo que a própria OMC (Organização Mundial do Comércio) tem dispositivos que possibilitam esse tipo de medida em momentos emergenciais.

Além disso, diz a carta, a emissão de uma licença compulsória não expropriaria os direitos de propriedade do titular da patente, que seguiria recebendo royalties pela invenção.

“Uma licença compulsória não impede o titular da patente de vender seu produto. Permite que o governo compre uma determinada tecnologia de qualquer fornecedor disponível, incluindo o proprietário da patente licenciada”, afirma o texto.

Segundo o documento, a inovação é importante e deve ser reconhecida, inclusive financeiramente. “Mas não precisa ser recompensada por meio de monopólios e da cobrança de preços exorbitantes pelas novas tecnologias de saúde”.

Ainda não há prazo para que o projeto entre em pauta na Câmara, que vem trabalhando de forma remota desde o início da pandemia.

Para Pedro Vilardi, coordenador do Grupo de Trabalho, a carta dos especialistas reforça a urgência do projeto de lei. “Cabe ao presidente Rodrigo Maia agora agir em defesa da saúde da população. O mundo inteiro está assistindo”.

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Assuntos coronavírus
Redação 21 de maio de 2020
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