
MANAUS – Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça foram divulgadas pela mídia local, nesta quinta-feira, 17, evidenciando o esquema de fraudes em licitações na Prefeitura de Iranduba (a 24 quilômetros de Manaus), que resultou na Operação Cauxi, deflagrada na última sexta-feira, 13, pelo Ministério Público do Estado do Amazonas. A ação resultou no cumprimento de nove de 11 mandados de prisão. Os dois últimos acusados se entregaram no dia seguinte à operação.
Nas escutas, divulgadas pela TV Amazonas, no final da manhã, o ex-secretário de Infraestrutura André Maciel Lima, afirma inicialmente que a prefeitura está sem dinheiro. Em seguida, em conversa com um homem não identificado, ele de um convênio com a Funasa (Fundação Nacional de Saúde), e cujo valor estaria disponível em dezembro deste ano, chegando a R$ 36 milhões. O homem não identificado então diz: “eu queria conversar contigo (sobre isso)”.
Em outro áudio, o ex-chefe da Comissão Geral de Licitação da Prefeitura Edu Corrêa de Souza cita o patrimônio do prefeito Xinaik Medeiros (Pros). De acordo com ele, após a conclusão de uma obra pública em Iranduba, o chefe do executivo comprou uma casa em Manaus, para uma de suas filhas, no valor de R$ 1 milhão. “A casa tem até quarto blindado”, comenta com um homem não identificado ao telefone. “Ele (Xinaik) estava falando: eu vou morrer, né? Uma hora é a hora de todo mundo. Mas os meus filhos vão ser milionários. Vão ter tudo aí”, reproduziu o secretário, após conversar com Xinaik.
Tanto os ex-secretários quanto o prefeito foram presos durante a operação Cauxi, deflagrada na semana anterior à operação Dízimo, após denúncias de irregularidades em contratos no município que, segundo a Polícia Federal, podem chegar a R$ 100 milhões.
Os patrimônios dos acusados estão sendo analisados pelo MP-AM (Ministério Público do Amazonas). O MP suspeita que o patrimônio deles seja incompatível com as rendas mensais. As denúncias foram feitas pelo Conselho Municipal de Iranduba e incluem também a contratação de funcionários fantasmas.
As irregularidades nos contratos da Prefeitura de Iranduba tinham sido constatadas pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado do Amazonas), em janeiro deste ano, mas nenhuma medida foi adotada efetivamente. O TCE informou, no último dia 17, que o relatório da inspeção foi juntado à prestação de contas do prefeito de 2014, que está pendente de julgamento.
