
Por Feifiane Ramos, do ATUAL
MANAUS – O arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, defende que os eleitores analisem o histórico e a atuação dos candidatos antes de definir o voto nas eleições. Segundo ele, a escolha dos representantes deve levar em consideração o compromisso com o bem comum, a democracia, a preservação ambiental e a melhoria das condições de vida da população, especialmente dos mais vulneráveis.
As declarações ocorreram nesta quarta-feira (10) durante o lançamento de uma cartilha para orientar os fiéis sobre participação política e cidadania. Segundo o cardeal, é importante que os eleitores se atentem, por exemplo, às votações de projetos e PECs apresentados pelos candidatos que pretendem se reeleger, se elas são a favor ou contra o povo.
Ao responder sobre como os cristãos podem avaliar os candidatos em um cenário marcado pela polarização política, principalmente entre extrema-direita e esquerda, Leonardo Steiner afirmou que o eleitor deve observar não apenas as propostas apresentadas, mas também a trajetória de quem disputa cargos públicos.
“É preciso olhar um pouquinho o histórico das pessoas. E depois, quais são os projetos que apresentaram para favorecer os pobres, para favorecer o bem comum. Então, tem muitos elementos que as pessoas podem usar para poder discernir em quem votar bem”, disse ao ATUAL.
Para os cléricos da Arquidiocese de Manaus, é necessário que o eleitor tenha consciência de que o voto é resultado de reflexão, análise crítica e compromisso com a coletividade.
Amazônia e meio ambiente
O arcebispo também defendeu que as questões ambientais ocupem espaço central no debate eleitoral, especialmente em uma região diretamente impactada pelos desafios da conservação da floresta e do desenvolvimento sustentável. “Não sei se os candidatos levam muito em consideração a questão do meio ambiente, a ecologia integral”.
Segundo ele, a Igreja considera fundamental que os candidatos assumam compromissos concretos com a proteção ambiental e com a defesa da população que vive na Amazônia. “Consideramos muito importante, como Igreja, que os candidatos que se propõem à eleição sejam pessoas que realmente nos ajudem a preservar, mas especialmente cuidar do meio ambiente. A Amazônia, sem o cuidado com o meio ambiente, será no futuro um grande lago com deserto”, disse.
Leonardo Steiner afirmou que a preservação da floresta não pode ser dissociada da proteção das populações tradicionais e do enfrentamento de atividades que causam impactos socioambientais na região, como, por exemplo, o garimpo ilegal em áreas de comunidades indígenas e ribeirinhas.
“Superar o garimpo, eliminar a desflorestação, cuidar melhor das nossas populações ribeirinhas, estarmos mais ao lado dos povos indígenas, que nos ensinam como cuidar do meio ambiente”, declarou.
O arcebispo também defendeu que a participação da Igreja no debate público não tem como objetivo apoiar grupos políticos específicos, mas incentivar valores considerados fundamentais para a construção da vida em sociedade.
Segundo ele, a orientação da Igreja está baseada na defesa da democracia, do bem comum e da preservação ambiental, sem alinhamento a disputas ideológicas ou partidárias. “A Igreja Católica vai sempre dizer que temos que cuidar da democracia, temos que cuidar do meio ambiente, temos que cuidar do bem comum. Então, esses elementos é que vão nos orientar e não vamos entrar na polarização. Nós vamos simplesmente dizer aquilo que é necessário, que é o bem”, afirmou.
Para o arcebispo, a participação dos eleitores no processo democrático passa pela capacidade de avaliar propostas, acompanhar a atuação dos representantes e escolher candidatos comprometidos com a melhoria das condições de vida da população.
