
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS — O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, autorizou a permanência de agentes da Força Nacional em Tabatinga, no extremo oeste do Amazonas, na fronteira com Peru e Colômbia.
A permanência do reforço ocorre em meio a tensão entre os países vizinhos pela disputa de uma ilha formada por sedimentação no Rio Amazonas. Os agentes brasileiros ficarão na região até dezembro.
A prorrogação da permanência da Força Nacional em Tabatinga consta em portaria publicada no DOU (Diário Oficial da União) nesta sexta-feira (15).
De acordo com a publicação, os agentes darão apoio a policiais federais nas “ações de policiamento da fronteira entre o Brasil e a Colômbia, nas atividades e nos serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”.
Nas últimas semanas, autoridades colombianas e peruanas têm feito declarações reivindicando a Ilha de Santa Rosa, que fica nas proximidades de Tabatinga e Letícia. O local tem cerca de 3 mil habitantes e se formou há muitos anos.
Em junho, o Congresso peruano aprovou “a criação do novo distrito de Santa Rosa de Loreto”, que inclui a ilha. Homens do Exército peruano também afincaram dezenas de bandeiras na ilha.
No dia 5 de agosto, em uma publicação no Twitter, o presidente colombiano, Gustavo Petro, afirmou que as terras pertencem à Colômbia, que o governo peruano se apropriou delas e violou o Protocolo do Rio de Janeiro, que fixou os limites entre os dois países.
“Surgiram ilhas ao norte da atual linha mais profunda, e o governo do Peru acaba de se apropriar delas por meio de uma lei, além de instalar a capital de um município em um terreno que, de acordo com o tratado, pertence à Colômbia”, escreveu.
No dia 7 deste mês, Petro foi a Letícia, para onde transferiu uma celebração da vitória colombiana em uma batalha contra a Espanha.
Em publicação no Twitter, Petro disse que o governo colombiano “usará, antes de tudo, medidas diplomáticas para defender a soberania” do país. E em outro post, ele disse que uma comissão mista de fronteiras irá analisar o caso em setembro.
