
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS — Na arena do Centro Cultural Antônio Vieira da Silva Taracubiu, em Nova Olinda do Norte (município a 135 quilômetros de Manaus), duas agremiações folclóricas disputam o título do 28º Festival Folclórico do município: o Boi de Chão Corre Campo e o Boi de Chão Diamante Negro.
Criado recentemente, esse folguedo regional se diferencia do boi-bumbá em alguns aspectos, sendo o principal deles a realização de apresentações mais próximas ao chão, com pouca ou nenhuma alegoria. Os personagens (chamados de itens) também são regionalizados: por exemplo, no lugar da Sinhazinha da Fazenda está a Cabocla Ribeirinha; no lugar do Pajé, o Xamã.
Durante muitos anos, as agremiações folclóricas locais seguiram o estilo do boi-bumbá, manifestação cultural amplamente conhecida no Brasil por meio do Festival Folclórico de Parintins, em que disputam os bois Caprichoso e Garantido.
Segundo a Prefeitura de Nova Olinda do Norte, a mudança para o formato “Boi de Chão” ocorreu a partir de 2023, após uma “inquietação” dos próprios brincantes. Eles consideraram que o evento, apesar de grandioso, estava se tornando uma réplica em menor escala do Festival de Parintins. Em busca de autenticidade, os organizadores propuseram um novo formato.
“Essa falta de uma identidade cultural genuína causava inquietação entre os admiradores da cultura local. Diante disso, em 2022, iniciou-se uma discussão interna em busca de uma alternativa que permitisse criar uma identidade própria, embasada em pesquisas históricas, étnicas e culturais”, informou a prefeitura.
Neste ano, o Festival Folclórico de Nova Olinda do Norte será realizado nos dias 1º e 2 de agosto. Os bois de chão se apresentarão na segunda noite, com duas horas de apresentação para cada agremiação.
Além da disputa entre os bois, o evento também contará com apresentações de quadrilhas e cirandas, além de shows de bandas locais, regionais e uma atração nacional: a cantora Marília Tavares, que canta forró e sertanejo.
Com o Boi de Chão, as agremiações buscam valorizar a cultura local. “O termo Boi de Chão demonstra o compromisso com a valorização da cultura local, das tradições amazônicas, indígenas e da biodiversidade da região”, declarou a prefeitura.
“Neste formato, as grandiosas alegorias passam a ser chamadas de Módulos Alegóricos, dando lugar a apresentações na arena que permitem aos caboclos da terra — indígenas ou não — realizarem encenações teatrais mais cênicas e envolventes, com um ritmo mais dinâmico”, completou o órgão.
Neste ano, o Boi de Chão Diamante Negro apresentará o tema “Arautos da Floresta”, enquanto o Corre Campo defenderá o tema “Celebração Cabocla”. “Em uma disputa que promete, além de um espetáculo impecável, trazer à tona reflexões sobre o meio ambiente, a defesa da floresta e o protagonismo cultural da figura cabocla”, concluiu a prefeitura.
