
Da Redação
MANAUS – Inquérito Civil instaurado pelo MP-AM (Ministério Público do Estado do Amazonas) para investigar o ex-secretário da Casa Civil, Raul Zaidan, e o procurador-geral do Ministério Público de Contas, Carlos Alberto Almeida, por suspeita de enriquecimento ilícito teve como base uma “denúncia” anônima apresentada em documento datilografado à Polícia Federal no dia 29 de dezembro de 2017. Na carta, o autor chama o procurador de “patife” e “bandido” e o associa ao esquema de desvio de dinheiro público da Saúde descoberto durante a Operação Maus Caminhos.
A denúncia foi encaminhada ao MPF (Ministério Público Federal) no dia 15 de janeiro deste ano e distribuída ao 3° Ofício da PR-AM (Procuradoria da República no Amazonas), onde são investigados os envolvidos na Operação Maus Caminhos e seus desdobramentos “Custo Político” e “Estado de Emergência”. No MP-AM, o inquérito civil foi instaurado no último dia 13 de julho, sete meses após o procurador Alexandre Jabur determinar o envio de cópias do documento ao órgão estadual.
Na portaria divulgada no último dia 10 deste mês no diário oficial do MP-AM, o promotor Edgar Maia Rocha determina a abertura do inquérito, mas não dá detalhes da denúncia.
A carta, a qual o ATUAL teve acesso, possui erros ortográficos, xingamentos e não tem a identificação do autor. Nela, o denunciante afirma que o ex-secretário Raul Zaidan nomeou o procurador-geral Carlos Alberto Almeida com o objetivo de “arquitetar, incobrir e providenciar o Saque do dinheiro do Estado e da Saúde (sic)” e pede que a Polícia Federal e o MPF apurem as acusações: “o enriquecimento desses bandidos, vão atrás que tem fundamento (sic)”, diz o autor.
“Esclareço que o assalto praticado por esse grupo, o Procurador Geral do TCE Carlos Alberto Mai de R$ 15.000.000,00 milhões de Reais. Com essa roubalheira o dinheiro recebido, reformou a fazenda onde mora na localidade Vista Alegre município de Manacapuru, reformou a propriedade com mais de R$ 1.000.000,00 do dinheiro robado do Estado (sic)”, diz trecho da carta.
O autor também afirma que a nomeação da esposa do procurador-geral, Ana Almeida, como funcionária do gabinete de Raul Zaidan, foi para manter o “elo de ligações” para os “eventos criminosos” do ex-secretário e afirma que o procurador Carlos Alberto Almeida recebeu mais de R$ 15 milhões do esquema de corrupção.
Esquema de corrupção
O autor da carta também afirma que “a roubalheira começou” quando o ex-secretário Raul Zaidan foi nomeado secretário da Casa Civil pelo ex-prefeito Alfredo Nascimento (PR). De acordo com a denúncia, o ex-secretário tem conta bancária com “milhões de dólares” e dois apartamentos em Miami, doze apartamentos em Manaus, dois em Fortaleza e dois no Rio de Janeiro.
“Ao denunciar esse descalabro do Zaidan é tão somente para que tomem conhecimento da bandidagem dele e do procurador gel do TCE do Amazonas. Minha sugestão é que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, faça uma investigação sobre isto (sic)”, diz outro trecho da carta.
‘Ataque inexplicado’
O procurador Carlos Alberto Almeida disse ao ATUAL que lamenta o fato de o Ministério Público do Estado “estar dando crédito a uma doidice destas”. Segundo ele, “a peça motivadora é uma denúncia apócrifa, batida em máquina de escrever, com as maiores barbaridades”.
Almeida disse que na Procuradoria Geral de Contas, ele recebeu “varias dessas maluquices, quase todas fruto de vingança, mas sendo apócrifas não tinha como dar seguimento”. E completa: “Eu não sabia que era tão fácil macular a vida de alguém com mentiras cobertas pelo anonimato”.
No último dia 11 de agosto, o procurador Carlos Almeida divulgou nota afirmando que a movimentação financeira dele está à disposição do MP-AM e de toda a sociedade amazonense. Para ele, a motivação inexplicada do ataque virá à tona e as responsabilidades serão apuradas em foro próprio.
“Minha ficha financeira (onde mostra os pagamentos realizados pelo TCE/AM), o meu movimento bancário, a minha declaração de Imposto de Renda e a constatação de campo de meus bens estão à disposição não só do MPE, mas de toda a Sociedade Amazonense, pois sou um agente público que tem por função principal ser fiscal da lei e o combate à corrupção”, afirmou o procurador.
