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Economia

Crise na Argentina derruba preços e favorece o turista brasileiro

30 de agosto de 2019 Economia
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Casa Rosada (Foto: Governo da Argentina/Fotos Públicas)
Museu da Casa Rosada, sede do governo argentino, é uma das atrações de Buenos Aires (Foto: Governo da Argentina/Fotos Públicas)
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Por Ana Luiza Tieghi, da Folhapress

SÃO PAULO-SP – A forte desvalorização do peso argentino e a declaração de moratória do país, feita na quarta-feira, 28, faz da Argentina um destino favorável para o turista brasileiro, mas só por enquanto. O peso argentino está desvalorizado, o que significa que o dinheiro dos turistas brasileiros está valendo mais. A Argentina, no entanto, tem uma inflação alta – o acumulado dos últimos 12 meses é de 55% – e que continua crescendo.

Isso neutraliza parte do ganho de poder de compra proporcionado pela moeda mais barata, explica Vinícius Müller, doutor em história econômica e professor do Insper. Ainda assim, por causa do peso desvalorizado, hoje a Argentina está mais em conta para o turista brasileiro do que há alguns meses. 

Um levantamento da operadora de turismo CVC apontou que o valor em dólar de alguns produtos no país vizinho caiu quase pela metade de 2018 para cá. Empanadas, água, refrigerantes, cerveja e refeições estão custando hoje pouco mais da metade do que custavam em 2018, mesmo quando o valor é convertido em reais.

Ainda segundo dados da CVC, uma empanada, que em 2018 saía por R$ 6,89, hoje é encontrada por R$ 3,93. Uma refeição simples, para uma pessoa, passou de R$ 68,94 para R$ 35,71.

Esse efeito, no entanto, não deve durar muito tempo. Como a Argentina é um importante parceiro comercial do Brasil, a crise do lado de lá pode afetar a moeda de cá, que também pode perder valor. “Se a Argentina tem capacidade menor de importar do Brasil, o mercado entende que isso vai prejudicar o nosso país e que a moeda brasileira será desvalorizada”, afirma Müller. 

Mas, como o Brasil é uma economia maior e mais estável do que a Argentina, essa desvalorização tende a ser mais branda e lenta. Segundo o professor do Insper, quem for viajar para a Argentina dentro de um mês ainda terá poder de compra alto. Depois disso, a moeda brasileira também pode se desvalorizar, anulando esse ganho.

Nesse cenário futuro, uma opção é comprar dólares agora no Brasil e guardá-los para trocar na Argentina, já que o peso deve continuar perdendo valor frente à moeda americana. “Quem fizer essa conversão em dólar tende a ganhar, porque dificilmente a Argentina terá um processo de recuperação rápido”, diz Müller.

A tendência é que o processo inflacionário no país continue, ainda mais se o candidato a presidente Alberto Fernández, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice, confirmar na eleição de 27 de outubro a vitória prevista pelas eleições primárias, realizadas no último dia 11.
“Dependendo de como forem os discursos da Kirchner e de Fernández, se eles ganharem, o mercado vai reagir de maneira negativa e agressiva”, afirma  o professor. 

Quem vai à Argentina deve ainda prestar atenção na forma de pagamento. Segundo reportagem publicada pela Folha nesta quinta, 29, os turistas podem conseguir descontos de até 20% em restaurantes se optarem por pagar em dinheiro, em vez de usar o cartão de crédito. Isso porque muitos donos desses estabelecimentos não aceitam mais os cartões por medo de perder valor entre a data da compra e o dia em que recebem o valor da operadora. 

Mas usar o cartão de crédito brasileiro na Argentina pode trazer vantagens ao turista, já que o total da compra em peso poderá ficar menor na data de fechamento da fatura, caso a moeda do país siga se desvalorizando.

Turista ganha mais se levar real para a Argentina No momento, o turista brasileiro faz melhor negócio se levar reais para trocar na Argentina. Na quinta (29), o banco argentino Nación comprava o real por 13,60 pesos. Assim, caso levasse R$ 1.000 para o país, o visitante brasileiro teria cerca de 13.600 pesos.

Uma opção popular para quem vai para o país vizinho é levar dólares. Na quinta, com R$ 1.000, o turista brasileiro compraria, em São Paulo, cerca de US$ 230. Ao trocar esse valor na Argentina, conseguiria cerca de 12.903 pesos. 

Isso vale para quem for a Buenos Aires. Em outras cidades, a cotação do real pode ser menos vantajosa. Assim, vale a pena levar dólares. A pior opção é comprar pesos ainda no Brasil. Em São Paulo, cada peso argentino valia R$ 0,103, na quinta. Se fosse trocar R$ 1.000, a pessoa sairia com apenas 9.708 pesos, 3.892 a menos do que se deixasse para trocar seus reais na Argentina.

Segundo José Marques da Costa, diretor-executivo da Câmbio Store, o viajante ainda pode levar até sete dias para receber os pesos comprados no Brasil, por causa da pouca procura pela moeda e da dificuldade em encontrá-la no mercado brasileiro. 

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Assuntos peso argentino
Cleber Oliveira 30 de agosto de 2019
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