
Por Bruna Camargo, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – A estrategista de mercados globais no JP Morgan Asset Management, Marina Valentini, avalia que o Brasil ainda tem baixa participação na cadeia de produção da inteligência artificial (IA), fazendo com que o investidor também tenha pouca oportunidade de se expor ao segmento por aqui
Na avaliação de especialistas que participaram de painel da Expert XP, evento que aconteceu no dia 22 em São Paulo, esse é um dos pontos que justifica maior exposição internacional dos portfólios de investimentos.
“Estamos passando por uma transformação tecnológica revolucionária, pois a IA é uma das tecnologias que está sendo adotada mais rapidamente na história. A cadeia de produção da IA tem cinco camadas: energia, chips, infraestrutura física, modelos e aplicações. Isso abre um mundo de oportunidades. Infelizmente, o Brasil só participa na parte de energia, e ainda falta muito investimento. O Brasil é mais consumidor de IA do que participante da cadeia”, afirma Valentini.
Segundo a executiva, quando o investidor mantém sua carteira no Brasil, perde acesso aos maiores mercados do mundo e às maiores oportunidades do momento. “O mercado de ações dos Estados Unidos é 130 vezes maior que o brasileiro. O ponto chave é o perde oportunidades”, diz Valentini, acrescentando que as maiores empresas brasileiras de 2005 são as mesmas de agora, o que indica que não há inovação e renovação de capital.
Artur Wichmann, CIO da XP Inc., avalia que manter investimentos somente no Brasil deixa o portfólio menos eficiente. “O índice de Sharpe melhora 0.7 adicionando os portfólios internacionais. Você se move em direção a ter portfólios mais eficientes, pois melhora tanto na dimensão risco quanto retorno”, afirma o executivo.
Ele diz que, na XP, a recomendação é de pelo menos 15% das carteiras em investimentos internacionais. “Não é um número mágico ou correto, mas saindo de 0%, pelo menos 15% deveriam estar diversificados. O número certo vem da ferramenta de planejamento financeiro”, afirma Wichmann.
