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Expressão

Crise hídrica: sacrifício não pode ser apenas do consumidor final

15 de outubro de 2021 Expressão
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Crise Hídrica Reservatório SP
Consumidor é obrigado a bancar sozinho os prejuízos causados pela falta de chuvas (Foto: Luis Moura/Agência WPP/Folhapress)
EDITORIAL

MANAUS – O mundo capitalista desabou, na opinião dos analistas do mercado financeiro, com a declaração do presidente Jair Bolsonaro, nesta sexta-feira (15), de que a bandeira tarifária, que define o preço da energia elétrica, precisa ser revista. Para esses analistas de mercado, todos os problemas causados pela falta de chuvas e a incompetência do setor elétrico devem recair sobre os ombros do consumidor final.

A tal bandeira tarifária, é preciso que se diga, foi criada como medida de proteção às empresas do setor de energia elétrica: geradoras e distribuidoras de energia. Com a bandeira tarifária, essas empresas podem ficar sossegadas. Mesmo que o mundo desabe sobre todos, elas não sofrerão perdas.

Esse protecionismo do setor é o que garante às empresas geradoras e distribuidoras o lucro líquido e certo no fim de cada mês, às custas de um consumidor cada vez mais espremido pela pressão inflacionária, que atinge todos os produtos e serviços no Brasil.

O consumidor brasileiro carrega o piano sozinho, sem que tenha qualquer tipo de ajuda, sem que tenha reajuste salarial. Alguns, inclusive, tiveram redução de salários para preservar o emprego e outros ficaram desempregados nos últimos meses.

As famílias brasileiras viram o poder de compra dos seus salários derreter, com uma inflação que atinge em cheio os alimentos. Desde muito antes da pandemia, muitas famílias brasileiras estavam sem condições de comprar o alimento diário necessário para uma alimentação saudável.

Com os preços disparando em 2020 e 2021, o poder de compra fui duramente afetado, levando muitos brasileiros a mudar os hábitos alimentares e a incluir no cardápio ossos e pés de galinha.

E, agora, com a crise hídrica, essas mesmas famílias veem mais uma vez a mão do poder econômico penetrar no seu bolso para bancar os custos da energia elétrica produzida pelas termelétricas.

Não é possível a uma família com ganhos abaixo de três salários-mínimos suportar esse tipo de pressão: combustíveis, energia elétrica, água tratada, gás, tudo aumenta para satisfazer os investidores, que não se conformam em reduzir seus lucros exorbitantes em um centavo.

Porque diante de uma crise como a que o mundo está passando com a pandemia de Covid-19, e o Brasil em particular, com a falta de chuvas, os prejuízos não são compartilhados por todos? Por que só aqueles que não têm como se defender são obrigados a bancar os lucros de um capitalismo desumano?

Não é razoável que em momentos de crise os mais pobres sejam empurrados para a miséria para satisfazer os desejos de uma minoria que domina o mundo pelo poder do dinheiro.

É preciso que todos os humanos comecem a ver tal situação com indignação, e a se mexer para mudar essa realidade.

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Assuntos aumento de preços, bandeira tarifária, Consumidor, crise hídrica, energia elétrica, inflação
Valmir Lima 15 de outubro de 2021
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