
Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidente da República, protocolou no STF um pedido de investigação criminal contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) depois de uma conversa vazado do celular de Daniel Vorcaro, o ex-dono do banco Master, em que um advogado diz que entregou a Lula uma garrafa de uísque. Flávio Bolsonaro e sua turma veem crime num ato que sequer há comprovação de que foi concretizado.
O advogado que diz ter entregado o presente de Vorcaro a Lula é conhecido em Brasília como “boquirroto”. O que isso significa? Uma pessoa que mente descaradamente e arrota “bacaba”, como diz no Amazonas. É uma pessoa indiscreta, fofoqueira e que fala “pelos cotovelos”. O Palácio do Planalto nega que ele tenha entregado o presente a Lula.
Mas e se tivesse entregado, de fato, uma garrafa de uísque ao presidente da República? Há crime no fato de alguém enviar um presente a outra pessoa? Quando a pessoa é o presidente da República, pode haver problema, sim, se o presente for um pagamento por algum favor pago com dinheiro público. Mas no caso do banco Master e de Daniel Vorcaro, Lula determinou que tudo fosse investigado e, em novembro de 2025, o banco foi liquidado pelo Banco Central do Brasil e Vorcaro foi preso pela Polícia Federal. Aliás, continua preso.
E Flávio, o que fez?
Flávio Bolsonaro, às vésperas da prisão do banqueiro e da liquidação do banco Master, envia mensagens de voz para Daniel Vorcaro para cobrar o pagamento de parte do financiamento de um filme sobre a vida do pai dele, Jair Bolsonaro. A promessa era de que Vorcaro “investiria” 134 milhões de reais no filme, pagos em parcelas.
Flávio chama Vorcaro de “irmão”, “mermão” e “irmãozão”, enquanto cobra o pagamento das parcelas. Há comprovação de que Vorcaro repassou cerca 13 milhões de dólares (65 milhões de reais).
Às vésperas da prisão de Daniel Vorcaro, Flávio acerta um encontro com o banqueiro, que ocorreu na casa de Vorcaro.
Quando questionado sobre o assunto do filme e do pedido de dinheiro, primeiro, Flávio desconversou e disse que o jornalista do The Intercept estava mentindo e o chamou de militante. Depois da divulgação dos áudios, Flávio reconheceu que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, mas argumentou que era “dinheiro privado para bancar um filme privado”.
A Polícia Federal também revelou que Flávio Bolsonaro andou de carona da Flórida (Estados Unidos) para o Brasil em um avião de Daniel Vorcaro, o mesmo avião que transportou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e a esposa dele, e que gerou grande revolta da extrema direita.
No avião estavam, além de Flávio, a mulher dele e os filhos, mas também um elemento surpresa: o advogado e empresário Willer Tomaz de Souza, envolvido no escândalo do INSS, e com quem o candidato do PL já fez cinco viagens internacionais. Na viagem à Flórida, Flávio foi levado a cassinos, com despesas pagas por Willer, que desembolsou cerca de 230 mil dólares.
Onde está o crime?
A pergunta indigesta é: Onde está o crime? Em uma garrafa de uísque que provavelmente não foi entregue ao presidente Lula ou em 134 milhões ou parte deles desviados de fundos de previdência dos Estados, dos aposentados do INSS para financiar um filme produzido nos Estados Unidos para homenagear um presidiário, e de quebra as caronas no avião do “irmãozão” com despesas pagas com dinheiro da mesma fonte?
Os fatos desmascaram o candidato do PL. Ele tenta tisnar a imagem de Lula com o caso Master estando envolvido até o pescoço no lamaçal que é considerado o maior escândalo financeiro da história do Brasil.

