

Do ATUAL
MANAUS – Os votos dados a candidatas e candidatos que se autodeclaram negros nas eleições 2022 serão contados em dobro para efeito da distribuição dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, também chamado de fundo eleitoral. A nova regra, aprovada em agosto deste ano, causou mudanças na informação sobre a raça dos candidatos com relação a eleições anteriores.
Levantamento feito pela Folha de S.Paulo indica que foram eleitos 135 deputados federais autodeclarados negros. A Folha cita oito parlamentares eleitos que se declararam “brancos” em 2018 e mudaram a informação no pleito deste ano.
Alexandre Leite (DEM-SP), Weliton Prado (PROS-MG), Diego Garcia (Republicanos-PR), Elmar Nascimento (DEM-BA), Cláudio Cajado (PP-BA) e Pinheirinho (PP-MG) são os deputados nomeados pela reportagem, que inclui também as deputadas Maria Rosas (Republicanos-SP) e Alice Portugal (PC do B-BA).
A informação de cor é feita pelo candidato no pedido de registro. São considerados negros quem se auto define como pardo, parda, preto ou preta. Não há investigação ou fiscalização quanto à declaração de raça.
Mundanças inversas
No Amazonas, o senador Eduardo Braga solicitou mudança de auto declaração de raça em 2022. Nas eleições de 2014 e 2018 Braga informou ser branco. No pleito deste ano ‘virou’ pardo.
Outros candidatos fizeram escolha inversa. Campeão de mandatos no Amazonas, Átila Lins (PSD) se declarou pardo em 2014, mas nas duas últimas eleições (2018 e 2022) aparece como branco no sistema de candidaturas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Deputado federal reeleito, Alberto Neto (PL) disputou a primeira eleição, em 2018, como pardo. Quando foi candidato a prefeito de Manaus, em 2020, declarou a raça como branca, e manteve a opção em 2022.
O ex-deputado Pauderney Avelino (União Brasil), que disputou uma vaga para a Câmara Federal, também mudou de pardo, em eleições anteriores (2014 e 2018), para branco em 2022.
