
Por Felipe Campinas e Iolanda Ventura, do ATUAL
MANAUS – Os bombeiros retiram com máquinas, na manhã desta segunda-feira (13), a terra e os escombros no local em que houve o deslizamento que deixou oito mortos, sendo quatro crianças com idades entre 5 e 7 anos, na noite deste domingo (12), na Comunidade Nova Floresta, zona leste de Manaus. Eles buscam por outras vítimas, apesar de moradores do local afirmarem que não há mais ninguém desaparecido.
Onze casas foram destruídas e 76 famílias ficaram desabrigadas com a queda do barranco, após chuva intensa durante todo o dia. Os moradores se abrigaram em uma igreja próxima ao local e foram levados gradativamente para uma escola municipal na zona leste de Manaus. Segundo a prefeitura, receberão auxílio-aluguel.
De acordo com o prefeito David Almeida, na parte alta do barranco havia um lixão irregular, que ocasionou o deslizamento.
“Ali em cima se fez uma lixeira viciada. Muitos carros e caçambas jogavam lixo. Com o grande volume de chuva ontem – na zona leste choveu 96 milímetros -, isso acumulou. Mesmo após a chuva ter passado, seis horas após a chuva, aconteceu esse deslizamento de terra que vitimizou oito famílias”, declarou David.
As casas destruídas ficavam em uma área desmatada, localizada em uma depressão cercada por barrancos. O acesso ao local é difícil. Não há ruas asfaltadas, apenas uma escada e estrada de barro improvisadas, feitas pelos moradores que construíram barracos no centro do buraco. Segundo os bombeiros que atenderam a ocorrência, o solo na área é arenoso e instável.

Frank Borges, coronel do Corpo de Bombeiros, informou que o deslizamento ocorreu por volta de 21h.
Inicialmente, o trabalho foi feito manualmente, sem o uso de máquinas, o que tornou o trabalho dificultoso. Conforme Borges, havia “praticamente um metro e meio de terra” sobre as vítimas.
“No início, quando tem a possibilidade de achar pessoas, tem que ser manual. Ninguém sabe se estão vivos ou mortos. É trabalhoso. Depois, quando a gente descarta todas as possibilidades, entra com as máquinas”, disse Borges.
Questionado sobre a possibilidade de outras vítimas, Borges disse: “Nós conversamos com os moradores e os mais antigos falaram que todos já foram localizados. Mas o 100% da certeza vai ser quando a gente remover esse tanto de barro que caiu”.

Calamidade pública
O prefeito anunciou, na manhã desta segunda-feira, que decretará estado de calamidade pública e que pedirá, em reunião com o presidente Lula nesta terça-feira (14), em Brasília, ajuda do governo federal para conceder moradia digna aos moradores do local.
“Estamos auxiliando os moradores na retirada de seus pertences. Vamos remover todas as casas aqui. Já estive falando com o ministro Waldez Góes [ministro da Integração e Desenvolvimento Regional] e com o secretário nacional da Defesa Civil [Wolnei Barreiros]. Vou decretar calamidade pública. Esses moradores receberão auxílio-aluguel”, disse David Almeida.
De acordo com David, entre os mortos estão venezuelanos. “Nós já chamamos aqui a Acnur [Agência da ONU para Refugiados] porque a maioria dos moradores são venezuelanos – inclusive, vítimas foram venezuelanos – para que eles possam nos auxiliar”, disse David.
“Fica até difícil ajudar porque eles não têm documento. E a gente está providenciando. Mas, naquilo que a prefeitura pode, está dando auxílio-aluguel, estamos abrigando na igreja, agora vamos colocar na escola, dar alimentação e prover algum auxílio. Quem não tiver auxílio vai receber da prefeitura”, completou o prefeito de Manaus.
O Departamento de Polícia Técnico-Científica trabalha na identificação dos oito corpos levados ao IML (Instituto Médico Legal). Das vítimas, quatro adultos e quatro crianças, cinco são do sexo masculino e três do sexo feminino. O Departamento solicitará o apoio da Polícia Federal para identificar as vítimas, uma vez que informações indicam que quatro são de origem venezuelana.
O prefeito disse que, com a forte chuva em Manaus, a Defesa Civil do município recebeu 110 chamados de socorro, mas nenhum deles veio da área em que houve a queda do barranco.
David afirmou ainda que os trabalhos no local poderão ser paralisados em razão de chuva prevista para esta segunda-feira.
“A nossa orientação é a retirada de todos os moradores dessa área de vale que está muito perigosa. Inclusive, com as chuvas previstas para agora de manhã isso aqui se torna ainda mais perigoso. Se começar a chover, todos que estão aqui embaixo serão retirados. Se começar a chuviscar, todos param o trabalho e saem daqui”, afirmou David.
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(Colaborou Murilo Rodrigues)
