Pesquisa do mês de maio mostra que o óleo, a carne e o café puxaram a alta de preços dos produtos essenciais das famílias de baixa renda

MANAUS – Em maio, os preços dos alimentos essenciais que compõem a cesta básica seguiram com tendência de alta em 15 das 18 capitais onde o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) realiza mensalmente a Pesquisa da Cesta Básica de Alimentos. Manaus foi uma das que registrou alta de 1,12%. O preço da cesta na capital amazonense ficou em R$ 313,12 no mês passado. Em abril, o preço era R$ 309,66. Neste ano, os alimentos tiveram aumento de 1,72% em Manaus, de acordo com a pesquisa, e nos últimos 12 meses houve retração de 3,02%.
O óleo foi o produto com a maior variação no mês de maio, com alta de 6,51%. Depois aparece o café, com elevação de 4,36%. A carne também contribuiu para o aumento de preço da cesta básica em Manaus, com elevação de R$ 4.01%. O tomate, que subiu em todas as capitais pesquisadas, com exceção de Manaus, teve retração de 2,71%.
A cesta básica do Dieese é composta pelo seguintes produtos: carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga.
No país
As maiores altas foram registradas em Fortaleza (5,42%) e Recife (4,90%). As retrações foram observadas em Campo Grande (-2,05%), Florianópolis (-0,38%) e Brasília (-0,10%). São Paulo foi a capital onde se apurou o maior valor para a cesta básica (R$ 366,54) e apresentou a terceira maior variação (2,43%) em relação a abril. A segunda maior cesta foi observada em Porto Alegre (R$ 366,00), seguida por Vitória (R$ 352,76). Os menores valores médios da cesta ocorreram em Aracaju (R$ 241,72), João Pessoa (R$ 272,35) e Salvador (R$ 277,52).
Com base no custo apurado para a cesta de São Paulo e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em maio deste ano, o salário necessário para a família deveria ser de R$ 3.079,31, ou seja, 4,25 vezes o mínimo em vigor, de R$ 724,00. Em abril, o mínimo necessário era menor, equivalendo a R$ 3.019,07, ou 4,17 vezes o piso vigente. Em maio de 2013, o valor necessário para atender às despesas de uma família chegava a R$ 2.873,56, o que representava 4,24 vezes o mínimo de então (R$ 678,00).
Variações acumuladas
No acumulado dos primeiros cinco meses de 2014, as 18 capitais apresentaram alta no valor da cesta básica. As maiores elevações situaram-se em Brasília (14,31%), Curitiba (13,24%) e São Paulo (12,01%). Os menores aumentos foram verificados em Manaus (1,76%) e Salvador (4,67%).
Em 12 meses – entre junho de 2013 e maio último, 16 cidades tiveram variações positivas, com destaque para as cidades do Sul – Curitiba (14,53%), Florianópolis (14,28%) e Porto Alegre (13,25%). As retrações ocorreram em João Pessoa (-4,97%) e Manaus (-3,05%).
Cesta x salário mínimo
Em maio, para comprar os gêneros alimentícios essenciais, o trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisou realizar, na média das 18 capitais pesquisadas, jornada de 96 horas e 51 minutos, tempo superior às 95 horas e 36 minutos de abril. Em relação a maio de 2013, a jornada comprometida em 2014 foi menor, já que naquele mês eram necessárias 97 horas e 45 minutos.
Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em maio, 47,85% dos vencimentos para comprar os mesmos produtos que em abril demandavam 47,23%. Em maio de 2013, o comprometimento do salário mínimo líquido com a compra da cesta era maior e equivalia a 48,29%.
Confira o comportamento da cesta básica nas capitais pesquisadas:

