
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS – O Instituto de Criminalística do Amazonas não identificou material genético do agente de portaria Caio Claudino e da servidora do TRT-11 (Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região – Amazonas e Roraima) Silvanilde Ferreira Veiga em uma camisa e dois chumaços de papel sujos de sangue encontrados no banheiro de uma das torres do condomínio onde ela morava, na zona oeste de Manaus.
A servidora foi encontrada morta dentro do próprio apartamento na noite do dia 21 de maio de 2022. A filha dela, Stephanie Veiga, disse que estava fora de casa quando recebeu um alerta de emergência enviado pelo celular da mãe. Ela ligou, mas não foi atendida, e resolveu ir ao local. Lá, encontrou Silvanilde caída no chão, com uma “poça de sangue” ao redor da cabeça.
De acordo com os investigadores, Silvanilde foi morta com golpes de faca no pescoço. A polícia encontrou na cena do crime três facas sujas de sangue, sendo duas pertencentes ao apartamento dela e uma de fabricação caseira. Perícia do Instituto de Criminalística feita no ano passado apontou material genético de Caio Claudino nessas facas.
Perícia
A camisa e os chumaços da papel sujos de sangue foram encontrados por policiais militares no dia 23 de maio na lixeira do banheiro masculino da torre A do condomínio em que Silvanilde morava. O apartamento dela ficava na torre B. A perícia no material só foi feita em janeiro deste ano, oito meses depois, e o laudo enviado à Justiça nesta quinta-feira (16).
Ao analisar os chumaços da papel, os peritos afirmaram que “não foi constatada a presença dos perfis da vítima Silvanilde Ferreira Veiga e do suspeito Caio Claudino de Souza”. E sobre a camisa, apontaram que “foi constatado perfil alélico de um indivíduo do sexo masculino”, mas que “este perfil não coincide com o obtido de amostra referência do acusado Caio Claudino de Souza”.

Acusação e contestação
Caio está preso desde maio de 2022, dias após o crime. A polícia e o Ministério Público do Amazonas acusam o agente de portaria de latrocínio – roubo e morte -, sob alegação de que ele entrou no apartamento de Silvanilde e roubou o celular dela. A defesa de Caio disse que não é possível atribuir esse crime porque o objeto roubado nunca foi encontrado.
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Em outubro de 2022, o juiz Henrique Veiga Lima, da 9ª Vara Criminal de Manaus, pediu explicações à Polícia Civil sobre a investigação de uma pessoa que aparece com uma camisa ensanguentada nas filmagens do sistema de segurança do prédio. A determinação atendeu a um pedido do advogado Sérgio Samarone, que representa Caio Claudino.
Na ocasião, Samarone reclamou da falta de investigação sobre essa pessoa que aparece com a roupa suja de sangue. “Ele aparece com a camisa, depois vai ao banheiro e sai sem a camisa, e ninguém investiga o cara, ninguém identifica ele, ninguém faz exame de DNA para saber se o sangue era da Silvanilde ou não”, afirmou Samarone.
Henrique Lima também ordenou a realização de exame de confronto genético em materiais apreendidos na cena do crime, entre eles um par de botas e a farda usada por Caio no dia em que Silvanilde foi assassinada. A primeira perícia, que apontou material genético de Caio, foi feita pelo Instituto de Criminalística e a contraprova deverá ser feita por uma clínica particular.
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