
Por Felipe Campinas, da Redação
MANAUS – Perícia realizada nas facas sujas de sangue encontradas no apartamento da servidora do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) Silvanilde Ferreira Veiga, assassinada no dia 21 de maio deste ano em Manaus, apontou para a existência de material genético de Caio Claudino de Souza, de 25 anos, que está preso desde o dia 31 daquele mês e agora é réu por envolvimento no crime.
No último dia 17 de agosto, o juiz Henrique Veiga Lima, da 9ª Vara Criminal de Manaus, aceitou denúncia na qual o MP-AM (Ministério Público do Amazonas) atribui a Caio a autoria do assassinato. Na denúncia, o promotor de Justiça Francisco Campos sustenta que o rapaz roubou o celular de Silvanilde “mediante emprego de violência, com resultado morte”.
O promotor considerou, além das imagens do sistema de segurança do edifício, o depoimento de Caio à polícia, no qual ele confessa a autoria do crime, e o resultado de perícias realizadas pelo Instituto de Criminalística do Amazonas em objetos encontrados no apartamento da servidora do TRT, entre eles três facas e um espelho.
O laudo de DNA realizado em uma faca lâmina lisa, uma faca lâmina serrada e uma uma lâmina lisa encontradas no apartamento de Silvanilde acusou material coincidente com o de Caio. Outra perícia feita no espelho em frente do lavabo constatou “perfil alélico de um indivíduo do sexo masculino” e concluiu que “este perfil coincide com o obtido de amostra referência” de Caio.
Câmeras de segurança
De acordo com o MP, as imagens do sistema de vigilância do prédio onde Silvanilde morava mostram que Caio entrou no elevador de serviço às 17h48min, apresentando atitudes estranhas. Primeiro ele foi ao 5º andar, depois ao 15º e depois, às 17h50min, saiu no 14º andar, em direção aos apartamentos 1401 e 1402 (o segundo era onde Silvanilde morava).
Às 18h03min o rapaz reapareceu em outro andar, acionando dois botões do elevador. Conforme as investigações, ao entrar no elevador, ele limpou alguma sujeira da camisa com saliva e segurou nas mãos um aparelho celular e outro objeto não identificado. Segundo a polícia, ele apresentou também uma mancha vermelha na roupa, no antebraço esquerdo.
Ainda de acordo com o MP, chegando no saguão, às 18h04min, Caio saiu da torre e pilotou, inclusive na contramão de direção, uma motocicleta, indo até à portaria. Lá, ele falou rapidamente com outro colega e retirou a farda, ficando com uma camisa preta que usava por baixo, e deixou o condomínio por volta de 18h23min.
O apartamento de Silvanilde tinha a entrada monitorada por um aplicativo que registra os horários de abertura das portas. Segundo o MP, o sistema mostrou que houve acionamento de abertura às 17h52min. Não existe câmeras no corredor, mas, para a polícia, o horário é compatível com a saída de Caio do elevador, a caminhada até ao apartamento da vítima e o contato com ela.
Confissão
Para sustentar o que houve no intervalo entre 17h50min e 18h03min, que não foi registrado em imagens, o MP menciona declarações prestadas por Caio à polícia após ser preso. “O acusado teve a prisão temporária decretada e foi interrogado, oportunidade na qual confessou a prática do crime. Relatou que não foi premeditado, nem teve mandantes”, disse Francisco Campos.
De acordo com o MP, Caio foi até o 5º, 15º e 14º andares após reclamação de vizinho sobre barulho vindo dos últimos andares. “Depois de chamado para prestar apoio na portaria do Condomínio Gran Vista, ao final da tarde estava fazendo ronda de moto quando um morador pediu que verificasse barulho de marteladas vindo dos últimos andares da torre B”, afirmou o promotor.
Ainda de acordo com o MP, o rapaz disse que subiu ao 15º andar e só havia barulho do maquinário; depois, parou em um andar e decidiu bater aleatoriamente em algum apartamento. No 14º andar, o rapaz disse à Silvanilde que precisava verificar o quadro de energia do apartamento. Segundo a polícia, Caio disse que estava sob efeito de cocaína e queria dinheiro para comprar mais drogas.
A denúncia relata que Silvanilde questionou o rapaz sobre o motivo e, após alguma explicação, ela permitiu que ele entrasse no apartamento. Ele foi até o quadro de luz para disfarçar sua intenção, mas, em seguida mostrou uma faca, com a qual sempre andava para sua segurança, à vítima e disse: “eu quero só dinheiro”.
“A vítima reagiu, ele ficou nervoso, e passou a desferir diversos golpes no pescoço da vítima, até que esta caiu no chão. Então, subtraiu o aparelho celular da vítima e deixou o apartamento, seguindo pelas escadas até outro andar abaixo; depois, pegou o elevador e desceu para a saída da torre”, afirma Francisco Campos.
“[Caio] notou que estava com a farda suja de sangue e a dobrou. Como estava perto da hora de ir embora, tirou a farda e ficou com a camisa que usava por baixo, e foi embora sem comunicar os outros agentes, caminhando até o posto de gasolina BR, esquina com Dulcila Ponta Negra, onde pediu um carro de aplicativo”, completou o promotor de Justiça.
