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© 2022 Amazonas Atual
Economia

Câmara aprova texto-base de projeto que abre caminho para privatização dos Correios

5 de agosto de 2021 Economia
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correios
Correios (Reprodução/Twitter Correios)
Por Thiago Resende e Danielle Brant, da Folhapress

BRASÍLIA, DF – Numa vitória da equipe econômica do governo, a Câmara aprovou nesta quinta-feira (5) o texto-base do projeto que abre caminho para a privatização dos Correios. A proposta, que quebra o monopólio da estatal e abre a empresa pública para o capital privado, teve o apoio de 286 deputados, e 173 foram contrários.

O plenário analisa agora os destaques -sugestões de alterações em pontos do texto. Após a conclusão da votação na Câmara, o projeto ainda precisará passar pelo Senado.

O plano elaborado pelo Ministério da Economia para a privatização dos Correios prevê a venda de 100% da estatal. A versão aprovada na Câmara está em linha com essa intenção.

A equipe do ministro Paulo Guedes (Economia) quer publicar o edital de privatização dos Correios até o fim do ano e realizar a operação até março de 2022.

Durante mais de três horas de discussão no plenário, poucos governistas defenderam a proposta. Os discursos favoráveis foram dominados pela bancada do partido Novo, que alegou falta de competitividade dos Correios e indicações políticas feitas à estatal. O Novo não integra a base de apoio do governo no Congresso, mas é alinhado à pauta liberal.

O líder do PSL, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), pediu a aprovação do projeto e disse que o Congresso “tem sido muito sensível a essa ideia do nosso governo de reduzir o Estado”.

A privatização dos Correios é criticada pela oposição ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e contestada em manifestações de rua contrárias ao governo, que se intensificaram nos últimos meses.

“É um crime contra o patrimônio público brasileiro. Os Correios são um orgulho para o Brasil e exercem um serviço de maneira extremamente competente, mesmo tendo um número reduzido de funcionários”, disse o líder da oposição na Casa, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ).

Para reduzir a resistência à privatização na Câmara, o relator, deputado Gil Cutrim (Republicanos-MA), teve que fazer alterações na proposta. Ele incluiu, por exemplo, a previsão de estabilidade de 18 meses para funcionários da estatal após a privatização.

A ADCAP (Associação dos Profissionais dos Correios) afirmou, em nota, que a estatal gera mais de 90 mil empregos diretos e que o projeto “tem falhas gravíssimas de concepção que podem colocar em risco o consolidado serviço postal do país”.

A entidade lembrou ainda que o procurador-geral da República, Augusto Aras, se posicionou contra a privatização de 100% dos Correios. Segundo Aras, a Constituição não permite a prestação indireta dos serviços postais e do correio aéreo nacional.

Para Cutrim, é juridicamente viável que o setor privado opere no serviço postal universal por meio de contratos de concessão, o que está previsto no texto aprovado.

O projeto diz que o operador postal será obrigado a assegurar a continuidade do serviço universal (a todos e inclusive em cidades menos atrativas economicamente) e cumprir metas. O relator alterou a proposta original, enviada pelo governo, e passou a estabelecer exclusividade de cinco anos para serviços postais à empresa que arrematar a companhia.

Antes, na versão do governo, a exclusividade seria de, no máximo, cinco anos e poderia ser restringida por ato do Executivo.

O texto aprovado pela Câmara também impede o fechamento de agências dos Correios em áreas remotas do país, como forma de garantir a prestação de um serviço universal.

Outra mudança feita pelo relator prevê um PDV, plano de demissão voluntária. De acordo com o texto, a demissão voluntária poderia ser pedida até 180 dias após a desestatização. Ao funcionário, seria paga uma indenização de um ano de remuneração, com manutenção do plano de saúde neste período, além de ingresso em um programa de requalificação.

Em julho, o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados da pasta, Diogo Mac Cord, disse que, se concluída a privatização, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) será responsável pela regulação dos serviços postais.

“O papel do governo é na regulação, o que é muito mais eficiente do que na prestação direta”, afirmou Mac Cord, na ocasião.

A equipe econômica ainda não tem uma estimativa clara de quanto pode ser arrecadado na venda dos Correios, pois o valor da operação dependia do formato final do projeto a ser votado pelo Congresso.

Conforme o texto, as tarifas serão transparentes e poderão ser diferenciadas geograficamente com base no custo do serviço, na renda dos usuários e nos indicadores sociais, para garantir o acesso de qualquer pessoa ou empresa ao serviço postal universal. Além disso, deve ser criada a “tarifa social” para os usuários sem dinheiro para pagar pelo serviço.

As tarifas do serviço postal universal serão reajustadas anualmente considerando o índice de preços previsto no contrato de concessão, podendo incluir um fator de desconto.

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Assuntos Câmara dos Deputados, Correios, privatização
Redação 5 de agosto de 2021
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