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Dia a Dia

Brasileiros rejeitam pauta conservadora e são liberais na educação

2 de julho de 2022 Dia a Dia
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sala de aula
Assuntos como orientação sexual e política são defendidas para a educação (Foto: Andre Borges/Agência Brasília)
Por Nina de Castro e Gustavo Luiz, da Folhapress

BELO HORIZONTE – Os brasileiros mostram-se menos conservadores do que sugere o barulho das redes sociais quando o que está em jogo é a educação escolar de crianças e adolescentes. É o que revela a pesquisa Educação, Valores e Direitos, coordenada pelas organizações Cenpec e Ação Educativa.

Para 99% da população, frequentar a escola é importante para as crianças. Frases como a escola pública deve respeitar todas as crenças religiosas, inclusive o candomblé, a umbanda e as pessoas que não têm religião, e a escola precisa tratar de temas como pobreza e desigualdade social atingiram índices de concordância acima de 90%.

Para Wagner Santana, consultor da Ação Educativa, a pesquisa indica que a agenda conservadora, encampada pelo Poder Executivo, por parte do Congresso e de legislativos estaduais, não é prioridade para a população.

Segundo a pesquisa, 7 em cada 10 brasileiros concordam que a educação sexual seja abordada no ambiente escolar, mesmo em meio a campanhas de movimentos organizados para coibir o ensino sobre gênero e sexualidade chamado de ideologia de gênero por conservadores.

Ainda na área de educação sexual, mais de 90% concordam que debater o assunto em sala ajuda crianças e adolescentes a se prevenirem contra abusos, e que estudantes devem receber, na escola, informações sobre leis que punem violência contra mulher.

A maioria (81%) concorda que escolas devem promover o direito de as pessoas viverem sua sexualidade, sejam elas heterossexuais ou LGBTs. Se 68% da população já ouviu falar do termo ideologia de gênero, apenas 3% acreditam que o principal problema da escola pública são os conteúdos ensinados em sala.

Em resposta estimulada, a falta de investimento dos governos nas escolas públicas (28%), os baixos salários e a desvalorização dos professores (17%) e a falta de infraestrutura das escolas (12%) foram apontados como entraves mais importantes.

Considerado prioridade do governo, o projeto de lei que regulamenta o ensino domiciliar (homeschooling) tramita no Congresso, enquanto 78% discordam que pais tenham o direito de tirar seus filhos da escola e ensiná-los em casa. Outros 72% dizem confiar mais em professores do que em militares para trabalhar em instituições de ensino.

A política em sala de aula foi um dos temas que mais dividiram opiniões. Embora 73% nunca tenham ouvido falar do Escola sem Partido, grupo que prega restrições de conteúdos nas escolas, 56% concordam que professores devem evitar falar de política em sala e 54% acham que pais podem proibir as escolas de ensinar temas que não aprovam.

Para Santana, as pessoas tendem a rejeitar a política na escola quando pensam no tema de modo genérico ou partidário, mas têm posições mais liberais quando confrontadas com frases específicas. “Não pode falar de política, mas pode falar de pobreza, de desigualdade, de direitos dos alunos. Tudo isso é política”.

Anna Helena Altenfelder, presidente do conselho de administração do Cenpec, concorda. Para ela, as discussões em torno de temas como a pobreza e as desigualdades sociais são políticas, uma vez que envolvem o bem comum, as relações de poder, a compatibilização de interesses e a vida coletiva.

Segundo Altenfelder, a pesquisa revela que brasileiros defendem uma sociedade pautada na democracia e no respeito ao outro. “Isso vai no sentido oposto que muitas redes sociais veiculam ou mesmo do posicionamento de alguns políticos”, diz.

Denise Carreira, doutora em educação, integrante da Ação Educativa e uma das coordenadoras da pesquisa, diz que os resultados trouxeram esperança ao revelar que a população não está abraçando o discurso autoritário do jeito que movimentos ultraconservadores costumam alardear. “A grande maioria defende uma escola crítica, que prepare seus filhos para a vida”, diz.

Para ela, no contexto eleitoral em que o país vive, os dados fazem um chamado às forças democráticas: “Há espaço junto à população para a retomada de uma agenda pró-direitos, que promova educação de qualidade”.

As entrevistas foram realizadas entre 8 e 15 de março com 2.090 pessoas com 16 anos ou mais, de regiões metropolitanas e cidades do interior de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

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Assuntos conservadorismo, educação, Liberalismo
Cleber Oliveira 2 de julho de 2022
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