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Política

Bolsonaro reclama a governadores de excesso de terras indígenas na Amazônia

27 de agosto de 2019 Política
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Bolsonaro e os governadores da Amazônia: desmatamento fora de foco (Foto: Marcos Corrêa/PR)
Por Gustavo Uribe e Ricardo Della Coletta, da Folhapress

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) deixou em segundo plano a série de queimadas pelo país e priorizou críticas a terras indígenas em reunião nesta terça-feira (27) com os governadores da Amazônia Legal.

No encontro, promovido no Palácio do Planalto, Bolsonaro fez questão de questionar cada autoridade estadual sobre o percentual de áreas indígenas em seus estados e chamou de “irresponsabilidade” a política de demarcação adotada por governos anteriores.

“A Amazônia foi usada politicamente desde o [ex-presidente Fernando] Collor”, disse. “Aos que me antecederam, foi uma irresponsabilidade essa política adotada no passado, usando o índio ao inviabilizar esses estados”, ressaltou.

A expectativa inicial era de que o encontro discutisse políticas para evitar novos incêndios criminosos. Na chegada ao encontro, os governadores de Amazonas, Pará e Roraima defenderam, por exemplo, que o governo brasileiro aceitasse o montante de US$ 20 milhões (cerca de R$ 83 milhões) oferecido pelos países do G7.

O auxílio ofertado pelas economias mais industrializadas foi anunciado pelo presidente da França, Emmanuel Macron, que tem trocado críticas com Bolsonaro sobre a onda de incêndios na Amazônia.

O Palácio do Planalto chegou a informar a jornalistas que a verba seria recusada, mas, na manhã desta terça, Bolsonaro disse que pode aceitar o montante caso Macron peça desculpas por ter chamado o brasileiro de “mentiroso” e recue da sua defesa de um status internacional para a Amazônia.

O tema, no entanto, foi pouco abordado na reunião entre o mandatário e governadores. Em seu discurso, o presidente afirmou que muitas terras indígenas têm “aspecto estratégico”, que há índios que não falam português e ressaltou que uma das intenções das demarcações é inviabilizar o país no campo econômico.

A reunião foi transmitida ao vivo pela TV do governo e pelas redes sociais de Bolsonaro. Em boa parte do encontro, o presidente discursou com foco no eleitorado, olhando para a câmera, e não para os governadores presentes.

“Com todo o respeito aos que me antecederam, foi uma irresponsabilidade essa política adotada no passado no tocante a isso, usando o índio como massa de manobra”, afirmou. “Essa questão ambiental tem de ser conduzida com racionalidade, não com esta quase selvageria como foi feita nos outros governos.”

Em discurso, o presidente anunciou que até a quinta-feira da próxima semana fechará um pacote de medidas, com sugestões dos governadores presentes, para a região amazônica. Ele não explicou detalhes sobre as propostas.

Bolsonaro aproveitou ainda a reunião para retomar as críticas ao presidente da França.
“O que o Macron acabou de dizer, de que a internacionalização da Amazônia está aberta, não deixa de ser uma realidade na cabeça dele. Temos que nos unir para preservar o que é nosso e garantir a nossa soberania”, disse.

Participaram da reunião convocada por Bolsonaro os governadores do Maranhão (Flávio Dino), Pará (Helder Barbalho), Mato Grosso (Mauro Mendes), Amazonas (Wilson Lima), Rondônia (Marcos Rocha), Tocantins (Mauro Carlesse), Amapá (Waldez Góes) e Roraima (Antonio Denarium), além do vice-governador do Acre, Wherles Rocha.

Eles reagiram de forma diferente às declarações de Bolsonaro. Enquanto alguns endossaram as críticas do mandatário e disseram que terras indígenas e quilombolas engessam o desenvolvimento dos seus estados, coube a Barbalho e a Dino adotarem um tom mais moderado.

Barbalho inclusive fez um contraponto nas críticas a Macron. Ele disse que, diante de uma crise ambiental da magnitude atual, o país tem perdido “muito tempo” com a troca de acusações com francês.

“Acho que estamos perdendo muito tempo com o Macron, temos que cuidar dos nossos problemas e sinalizar para o mundo a diplomacia ambiental que é fundamental para o agronegócio”, disse.

O governador paraense defendeu ainda que o país aceite as ofertas internacionais de ajuda e use os recursos disponíveis no Fundo Amazônia. “Todos nós sabemos das dificuldades. Se existe recurso disponível no Fundo Amazônia, nós devemos utilizar esses recursos”, declarou.

Rodrigo Maia

O tema da oferta de ajuda internacional repercutiu do outro lado da Praça dos Três Poderes. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), opinou que o país não deve rejeitar o auxílio estendido pelos líderes do G7.

“O Brasil não deve abrir mão de nenhum real”, disse. Maia afirmou que o governo tem soberania para decidir como alocar os recursos e que, por isso, não deveria recusá-los.

Na reunião de Bolsonaro com governadores, Flávio Dino pontuou que o país não pode se isolar na arena internacional. “O diálogo com outros países é imprescindível. Se o Brasil se isola, se expõe a sanções comerciais gravíssimas contra os nossos produtores.”

O governador de Roraima, Antonio Denarium, usou sua fala na reunião para apoiar a fala de Bolsonaro.

“O estado de Roraima tem sido penalizado nos últimos 30 anos por políticas ambientais e indigenistas”, pontuou. “Hoje o Ibama chega e multa sem nenhum direito de defesa.”

Declarações no mesmo sentido foram feitas pelos representantes de Tocantins e Rondônia. O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, destacou que o agronegócio brasileiro pode ser prejudicado caso haja uma piora na imagem do Brasil no exterior.

“A questão ambiental é o abre-alas para o agro brasileiro”, disse.

Apesar da fala, ele criticou o presidente francês e disse que Macron atua para tentar criar “possíveis barreiras verdes” para produtos brasileiros. “O que me preocupa mais é essa guerra de comunicação patrocinada pelos nossos concorrentes internacionais”.

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Assuntos Amazônia, governadores da Amazonia, Jair Bolsonaro, terras indigenas
Valmir Lima 27 de agosto de 2019
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