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Política

Bolsonaro esvazia Casa Civil, e aliados veem demissão de Onyx mais próxima

30 de janeiro de 2020 Política
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Onyx Lorenzoni foi um aliado de primeira ordem de Jair Bolsonaro durante a campanha e o período de transição (Foto: Marcos Corrêa/PR)
Da Folhapress

BRASÍLIA – O esvaziamento de funções da Casa Civil, anunciado na manhã desta quinta-feira, 30, por Jair Bolsonaro, foi interpretado por auxiliares do Palácio do Planalto como um sinal de que Onyx Lorenzoni (DEM-RS) deixará o governo em breve.

Dois dias depois de demitir pela imprensa o número dois da pasta, Vicente Santini, o presidente anunciou nas primeiras horas da manhã desta quinta a transferência do PPI (Programa de Parceria de Investimentos) da Casa Civil para a Economia, gesto que esvazia e enfraquece Onyx, que está em férias.

Onyx foi um aliado de primeira ordem de Bolsonaro durante a campanha e o período de transição, dos quais participou como coordenador.

Desde que assumiu a Casa Civil em janeiro de 2019, o ministro viu seu poder diminuir gradualmente. Em junho de 2019, ele já havia perdido a função de articulador político, hoje na Secretaria de Governo, e a SAJ (Subchefia de Assuntos Jurídicos), transferida para a Secretaria-Geral. 

Bolsonaro estuda desde o ano passado fazer mudanças em sua equipe ministerial, mas aguardava um momento oportuno para anunciá-las. Ele adiou a tomada de decisão no fim de 2019 para negar o noticiário da imprensa de que ele estava prestes a trocar as chefias da Casa Civil e do Ministério da Educação. 

Segundo aliados do presidente, o caso Santini surgiu como a desculpa perfeita para que a reformulação de equipe aconteça.

Santini teve sua saída da secretaria-executiva anunciada por Bolsonaro na terça (28), depois de ter usado um voo exclusivo da FAB (Força Aérea Brasileira) para voar de Davos, na Suíça, para Déli, na Índia. 

O presidente classificou o episódio como “inadmissível” e “imoral”. Porém, na noite de quarta, 29, Santini foi nomeado para outra função na Casa Civil, como assessor especial da Secretaria Especial de Relacionamento Externo, para ganhar um salário apenas R$ 300 menor. A repercussão negativa levou a novo recuo de Bolsonaro em menos de 12h.

Em publicação nas redes sociais, Bolsonaro disse que vai “tornar sem efeito” a admissão Santini para o novo posto e também informou que Fernando Wandscheer de Moura Alves, nomeado na noite de quarta, deixará a secretaria-executiva da Casa Civil. 

A assessoria de imprensa da pasta não respondeu quem responde interinamente pelo órgao. Onyx está em férias desde o dia 18 de janeiro e sua previsão de retorno ao trabalho é dia 3 de fevereiro, na próxima segunda. 

Para aliados do presidente, Santini serviu apenas de “bode expiatório” para o enfraquecimento do chefe da Casa Civil.

Bolsonaro foi alertado sobre o caso de Santini pelo ministro Paulo Guedes (Economia). Foi relatado à reportagem que o próprio ministro alertou Santini em Davos sobre o elevado custo de um uso de jato da FAB.

Se a saída de Onyx for confirmada, entre as possíveis soluções está a de o general Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, assumir interinamente. Outro desenho estudado é devolver a Casa Civil à SAJ, o que transferiria Jorge Oliveira da Secretaria-Geral para a pasta.

Bolsonaro estuda destacar Onyx para a articulação política, mas com um cargo no Congresso, onde ele é deputado. 

A avaliação da equipe do presidente é que Onyx teria um papel mais efetivo na articulação política no Poder Legislativo, atividade que enfrenta críticas, sobretudo do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Caso Jorge Oliveira seja o escolhido para a Casa Civil, a troca de cadeiras abriria espaço para o presidente abrigar o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) na Secretaria-Geral. Segundo auxiliares presidenciais, o amigo de Bolsonaro recebeu a garantia no início deste ano de um posto na máquina federal.

Para ser nomeado, Fraga colocou como condição o arquivamento de processo que responde  em segunda instância pela acusação de cobrança de propina de uma cooperativa quando era secretário de Transportes do Distrito Federal, em 2008.

A expectativa da equipe do presidente é que o caso chegue a um desfecho no primeiro trimestre deste ano. Bolsonaro já cogitou separar o Ministério da Justiça da Segurança Pública para alocá-lo, mas a hipótese foi descartada após a insatisfação do ministro Sergio Moro.

Além da Casa Civil, outra mudança é cogitada na Educação. No Palácio do Planalto, a troca do ministro Abraham Weintraub é dada como provável. O presidente, que já reclamou em entrevista à imprensa sobre a postura do ministro, ficou irritado com os problemas técnicos no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Nos últimos dias, deputados aliados defenderam ao presidente a necessidade de se trocar o comando da pasta para evitar que a imagem do governo seja contaminada pelas polêmicas criadas por Weintraub.

Para o seu lugar, ele avalia os nomes do senador Izalci Lucas (PSDB-DF) e do ex-ministro da Educação Mendonça Filho (DEM), que tem o apoio de Maia. O presidente da Câmara criticou publicamente Weintraub na quarta, em evento em São Paulo.

Se a saída de Onyx for confirmada, Bolsonaro iniciará seu segundo ano de governo com praticamente todo seu núcleo-duro da campanha fora. Já foram escanteados do centro do poder o ex-ministro Gustavo Bebianno, o ex-senador Magno Malta e o empresário Paulo Marinho, que montou um estúdio improvisado em sua casa para gravação dos programas de TV.

“É simples. Quando o Jair anuncia uma decisão e conclui com a frase “e ponto final”, significa que ainda mudará de opinião ao menos umas trinta vezes.  Como a culpa por tudo é sempre dos outros, e nunca dele, dá esse ar de confusão. Mas é o padrão mesmo. Está tudo bem. Faltam só mais vinte e sete alterações”, disse Bebianno à reportagem ao comentar o esvaziamento da pasta anunciado por Bolsonaro nesta quinta.

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Assuntos Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni
Redação 30 de janeiro de 2020
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