Assessoria de ‘imprensa’ ou cerca de jurubeba? A primeira é melhor

Folha de Jurubeba
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MANAUS – Alguns assessores de comunicação vivem num nundo tão obscuro que ainda se permitem chamar-se assessores de imprensa, num momento em que a imprensa agoniza e outros meios de comunicação explodem, no formato online.

Mas esse é o menor problema. O maior é a burocracia para se obter informação dos órgãos públicos. Na contramão dos novos meios de comunicação, que exigem profissionais cada vez mais experientes e ágeis para dar conta da demanda por notícias em tempo real, as assessorias se prestam ao desserviço de emperrar o processo de captação de informação.

Primeiro problema: as assessorias nunca sabem de nada, nunca têm informação, têm dificuldades em dialogar com os assessorados (secretários, presidentes de órgãos públicos, etc.); consequência disso, criam as maiores dificuldades para responder a uma demanda.

Segundo problema: as assessorias ignoram a eficiência das redes sociais para a comunicação. Não basta um pedido via WhatsApp, a comunicação só é aceita se for por e-mail. Em um contato por mensagem ou telefônico, o assessor ou assessora espera o jornalista gastar todo o seu tempo explicando o assunto para, no final, sentenciar: manda um e-mail com a solicitação! O problema é que às vezes o e-mail dormita na caixa de entrada até que alguém decida respondê-lo.

Terceiro problema: o tempo de resposta da demanda é incompatível com o a velocidade das informações em rede. Nesse aspecto, as assessorias ainda trabalham com o “deadline” do jornal impresso, quando a demanda chegava pela manhã e poderia ser respondida até o fim da tarde ou início da noite, porque o jornal só “fechava” quado o Sol se punha.

Quarto problema: falta “tesão” às assessorias para colocar seus assessorados em evidência. Na solicitação de uma entrevista, mesmo que seja para falar de um tema positivo para o gestor, há, na maioria das vezes, uma má vontade em atender. Não são raras as vezes em que a assessoria sugere “para daqui a duas semanas” o agendamento, mesmo quando se trata de um “assunto da hora”.

Quinto problema: a famosa cerca de jurubeba. O assessor ou os assessores acham que estão ali para proteger o assessorado das demandas espinhosas. Assim, tentam impedir o jornalista de “acessar” o gestor; colocam-se como aquele soldado que foi destacado para impedir a entrada de pessoas indesejadas. O pior, nestes casos, é que os assessorados adoram esse tipo de assessor.

Os problemas acima, no entanto, não alcançam todas as assessorias. Há exceções; assessorias bem estruturadas, com profissionais gabaritados e que entendem a nova realidade da mídia. Mas, como disse, são exceções.

E para concluir, desejo imensamente que esse texto sirva menos para levantar a ira dos assessores e assessoras e mais para a reflexão sobre essa tarefa extremamente importante de facilitar à imprensa o acesso a informações de interesse público.

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