

Por Teófilo Benarrós de Mesquita, do ATUAL
MANAUS – A Convenção Estadual das Igrejas Evangélias Assembleia de Deus no Maranhão (Ceadema) emitiu nota de repúdio contra a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) por apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. O texto diz que a senadora está em “discordância” com Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil e com a própria Ceadema, “que já declararam oficial apoio ao candidato [Jair] Bolsonaro”.
O colegiado estadual afirma que Eliziane demonstra, desde o início de seu mandato, falta de compromisso com a entidade. E cita que a senadora assinou, ainda como pré-candidata ao cargo, documento onde assume compromissos com a Assembleia de Deus, como “se posicionar contra a doutrinação de política de esquerda”.
“É público e notório que a grande maioria dos posicionamentos da senadora caminha na direção contrária ao que a Ceadema defende e acredita, como a preservação dos bons costumes, da família tradicional, do combate à corrupção e o apoio ao governo que defende princípios e pautas conservadoras”, diz a nota, assinada pelo pastor Antônio Valbert Alves Silva, coordenador do conselho político do Ceadama.
Reação
No Instagram, Eliziane Gama disse que soube pelas redes sociais da nota da Ceadema. “No primeiro momento pensei que fosse fake. Depois que vi a veracidade da nota ao ser publicada nos canais oficiais da @ceadema_oficial”, disse.
“Lamentei profundamente e redigi uma carta que encaminhei ao conselho político da Ceadema pedindo humildemente que a nota seja retirada dos canais oficiais por ela ser incompatível com a prática do Evangelho de Jesus Cristo”, escreveu.
“Compartilho aqui o documento que enviei, considerando que até o presente momento não recebi nenhum retorno. Vamos continuar firmes e fortes na defesa da democracia e contra qualquer ato de intolerância. Que Deus abençoe a todos e todas!”, afirmou.
Apoio
Deputadas federais eleitas em 2 de outubro, Marina Silva (Rede-SP) e Benedita da Silva (PT-RJ), evangélicas da Assembleia de Deus, reagiram à nota emitida pelo colegiado. As duas, ao lado de Eliziane, colaboraram na elaboração da carta aos evangélicos produzida por Lula e pelo PT.
“Dos mesmos criadores/defensores da ‘escola sem partido’, agora vemos a ‘igreja com partido’. A perseguição contra os cristãos começou e começou dentro da igreja!”, tuítou Marina, ao compartilhar a nota. “É um absurdo”, escreveu.
Em vídeo, Marina disse que “Bolsonaro e o bolsonarismo atingiram como uma ferida de morte nossas comunidades religiosas. Isso é ultrajante. Que aquele que dá testemundo de todas as coisas cubra com seu amor e justiça a senadora Eliziane Gama”.
“Agora, pense numa coisa: se estão fazendo isso com uma senadora da República, imagina o que não está sendo feito com nossas irmãs e irmãos por esse Brasil afora”, disse Marina Silva.
“É uma violência contra a fé, assédio religioso”, disse Marina, ao manifetar apoio a solidariedade a todos que por pressão de pastores e igrejas para denifir o voto no segundo turno, “nesse momento tão difícil da história do nosso país”.
“Me entriste muito ver que a denominação da qual eu faço parte, a Assembleia de Deus, aprovou uma nota de repúdio desqualificando e questionando a fé e compromisso com Deus da senadora Eliziane Gama pelo simples fato dela ter declarado seu apoio político à candidatura de Lula”, completou.
Benedita retuiou a postagem, com o comentário “minha solidariedade à querida senadora @elizianegama! A nossa fé não se verga ante atitudes que destoam dos ensinamentos de Jesus”.
A Constituição Federal estabelece que o Brasil é um Estado laico, onde igreja e governo devem caminhar sem alianças. O inciso I do artigo 19 determina que é “vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embarcar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”.
Assista ao vídeo de Marina Silva:
