
MANAUS – O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, confirmou que não homologará o resultado da licitação para a contratação de novos radares para a capital. Diante da decisão do prefeito, antecipada nesta segunda-feira (26), pelo presidente da Câmara Municipal de Manaus, vereador Wilker Barreto, em discurso na tribuna, o diretor do Manaustrans, Paulo Henrique Martins, pediu exoneração do cargo. A homologação da concorrência ocorreu dias antes da criação do consórcio vencedor da licitação.
“Esperei o secretário Paulo Henrique Martins chegar de viagem ontem para conversarmos sobre o processo licitatório dos radares antes de me manifestar publicamente. Conversamos longamente ontem e hoje. Ele defende que o processo está lícito e transparente, como rege a lei 8.666. No entanto, como consta rasura cadastral de uma das pessoas envolvidas no processo, decidi não homologar o resultado da licitação, não assinar contrato com a empresa e abrir espaço para uma nova licitação”, explicou o prefeito.
Arthur disse que Paulo Henrique é um dos maiores especialistas de trânsito da cidade e que a decisão de sair do governo municipal partiu dele. “Lamento muito a decisão dele pois estimo sua capacidade técnica. A gestão vai perder um membro importante. O que houve foi uma discordância”, afirmou.
Sobre as denúncias de supostas irregularidades no processo licitatório, o prefeito disse ter ficado feliz pelo alerta, embora ele tenha vindo por via externa, e reafirmou seu compromisso em manter todos os processos licitatórios em constante observação para que transcorram sempre em plena lisura e transparência.
O prefeito determinou, ainda, que todos os demais processos licitatórios em curso no Manaustrans sejam suspensos, inclusive o de inspeção veicular. “Mas do que nunca olharei com lupa todas as licitações do governo”, reformou. A definição do novo titular do cargo será anunciada nos próximos dias.
A denúncia de que o proprietário da empresa Consladel Construtora, responsável pela instalação e manutenção dos radares até o ano passado, é um dos proprietários de uma das empresas que forma o consórcio vencedor da última licitação, foi feita por vereadores de oposição, que sugeriram a abertura de uma CPI para apurar o caso. A empresa foi citada em reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, como uma das suspeitas de participar de um esquema de corrupção e fraudes envolvendo contratos milionários.
Em nota, Paulo Henrique Martins informou apenas que o processo licitatório ocorreu dentro da legalidade e que a documentação foi submetida à análise do prefeito Arthur Neto.
(Com informações da Semcom e da Redação)
