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Política

Lula diz que propôs a Trump grupo de trabalho de países para combater crime organizado

7 de maio de 2026 Política
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Donald Trump com Lula na Casa Branca: encontro descontraído para discutir temas polêmicos (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Donald Trump com Lula na Casa Branca: encontro descontraído para discutir temas polêmicos (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Por Lavínia Kaucz, Gabriel de Sousa e Naomi Matsui, do Estadão Conteúdo

WAHSINGTON – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse nesta quinta-feira (7) que defendeu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a criação de um grupo de trabalho com todos os países da América Latina, ou até do mundo para o combate ao crime.

“Eu disse a ele que estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América Latina e quiçá, com todos os países do mundo, para criarmos um grupo forte de combate ao crime organizado”, comentou, em entrevista a jornalistas, após reunião realizada com Trump em Washington.

Lula disse ainda que questionou a estratégia dos EUA de combater o crime organizado com bases militares e defendeu a criação de alternativas econômicas ao crime. “Como você vai fazer um País deixar de produzir coca se você não oferece uma alternativa de algum produto que alguém possa plantar e ganhar dinheiro?”, questionou.

Na entrevista, o presidente brasileiro também destacou que parte das armas que chega no Brasil sai dos EUA. “É importante saber que tem lavagem de dinheiro que é feita em Estados americanos. Se a gente colocar a verdade na mesa e criarmos um grupo de trabalho para trabalharmos juntos, poderemos resolver em décadas aquilo que não resolveu em séculos”, afirmou.

Lula ainda defendeu o multilateralismo em contraste ao “unilateralismo das taxações do presidente Trump” e disse que nenhum País tem a hegemonia de combater o crime organizado. “É uma coisa que tem que ser compartilhada com todos, e o Brasil tem expertise, tem uma extraordinária Polícia Federal (PF)”, disse.

Minerais críticos

O presidente da República afirmou também que o Brasil não tem preferência nas parcerias com outros países para a exploração de minerais críticos. O petista citou países como China e Estados Unidos, adversários na corrida pelos elementos.

“Não temos preferência. O que queremos é fazer parceria, compartilhar com as empresas americanas, chinesas, alemãs, japonesas, francesas, ou seja, quem quiser participar conosco, para ajudar a gente a fazer a mineração, para fazer a separação e para produzir a riqueza que essa riqueza rara nos oferece, estão sendo convidados”, declarou Lula.

Ele reafirmou que o Brasil tratará os minerais críticos como “uma questão de soberania nacional” e chamou como “extraordinária” a aprovação pela Câmara do projeto para regularizar o setor.

Tarifas

O presidente brasileiro afirmou ainda ter discutido a sobretaxação norte-americana a produtos brasileiros durante reunião com Trump. Segundo Lula, Trump “teimou” haver produtos norte-americanos com taxa maior do que a praticada.

“Ele Trump sempre acha que nós cobramos muito imposto. Argumentei para ele: ‘Não, a média do imposto que nós cobramos de vocês é 2,7%, apenas 2,7%’. Mas ele continua teimando”, declarou Lula. “Trump teimou e disse que tem produtos americanos que são taxados em 12% no Brasil”, enfatizou.

Reunião das áreas comerciais

Lula afirmou ter sugerido a Trump uma reunião entre as áreas comerciais dos dois países daqui um mês e disse que o Brasil estaria disposto a ceder caso seja constatada uma sobretaxação brasileira. O petista defendeu ainda um “plano de metas” para as reuniões.

“Quem estiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, vamos ceder. Se eles tiverem que ceder, vão ter que ceder”, disse Lula. “Tem divergência que ficou explicitada na reunião, o ministro dele falou uma coisa, os nossos, outras”, completou.

Copa do Mundo e sorrisos

Lula afirmou também ter pedido a Trump que sorrisse mais e brincou ter solicitado ao presidente norte-americano para que não cancele os vistos dos jogadores da seleção masculina de futebol às vésperas da Copa do Mundo, que terá, neste ano, os Estados Unidos como uma das sedes.

“Espero que você não venha anular o visto dos jogadores brasileiros para a seleção. Por favor, não faça isso porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo. Ele riu”, contou Lula.

A reunião

A reunião entre Lula e Trump começou por volta das 12h40 (11h40 no horário de Washington D.C) desta quinta-feira, na Casa Branca, e durou três horas. Esse foi o primeiro encontro dos dois na sede do governo norte-americano.

Na reunião, Lula esteve acompanhado pelos ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Wellington César (Justiça e Segurança Pública).

A equipe de Trump foi composta pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D Vance, pela chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, pelo secretário de Comércio, Howard Lutnick, e pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent.

A relação Lula-Trump

Lula e Trump tiveram um primeiro contato na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro passado. Depois, se encontraram na cúpula da Asean, em outubro de 2025.

Desde o início do mandato de Trump, em janeiro passado, a relação entre Brasil e Estados Unidos é marcada por crises. O governo norte-americano impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, depois derrubada pela Suprema Corte do país, sancionou autoridades com a Lei Magnitsky, além de começar a investigar supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil.

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Assuntos crime organizado, Donald Trump, facções criminosas, Luiz Inácio Lula da Silva
Cleber Oliveira 7 de maio de 2026
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