
Do ATUAL
MANAUS — O Amazonas foi o estado que mais desmatou a floresta amazônica em abril deste ano, com 40% da área devastada no país, segundo o Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia). Mato Grosso (38%) e Pará (11%) aparecem na sequência. Os três estados concentraram 89% do desmatamento registrado no período.
Entre os dez assentamentos que mais desmataram em abril, seis estão localizados no Amazonas. A maior retirada de árvores ocorreu no assentamento Rio Juma, em Apuí, no sul do estado, que lidera o ranking pela segunda vez consecutiva. Apenas nesse território foram destruídos 16 km² de floresta — o equivalente a 1.600 campos de futebol.
Segundo o Imazon, apenas em abril a Amazônia perdeu 234 km² de floresta, um aumento de 24% em relação ao mesmo mês de 2024. A retirada de árvores é equivalente a 780 campos de futebol por dia. Embora esse número seja 80% inferior ao recorde histórico para abril, registrado em 2022 (1.197 km²), a alta em relação ao ano anterior, segundo o Imazon, gera um alerta.
“Se esse ritmo continuar, podemos encerrar o calendário de desmatamento de 2025 com índices elevados de destruição”, avalia a pesquisadora do Imazon, Larissa Amorim.
Os dados do SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento), que monitora a região por satélites desde 2008, consideram o chamado “calendário do desmatamento”, que vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte. No acumulado de agosto de 2024 a abril de 2025, a Amazônia perdeu 2.530 km² de floresta — um aumento de 18% em comparação com os 2.136 km² registrados no mesmo intervalo do ciclo anterior.
Entre os municípios, cinco dos dez que mais desmataram em abril são do Mato Grosso. Aripuanã aparece no ranking pelo quinto mês consecutivo, desde dezembro de 2024. Colniza–MT e Apuí–AM também têm presença recorrente entre os maiores focos de desmatamento desde fevereiro deste ano.
Nas unidades de conservação, a APA (Área de Proteção Ambiental) Triunfo do Xingu, no Pará, liderou com 4 km² desmatados, seguida pela Floresta Nacional do Iquiri, no Amazonas, com 1 km².
Degradação florestal cai em abril
A área de floresta degradada — ou seja, impactada por queimadas e extração de madeira, sem remoção total da vegetação — caiu 96% em abril de 2025 na comparação com o mesmo mês de 2024, passando de 696 km² para 25 km².
Apesar da queda pontual, o acumulado de agosto de 2024 a abril de 2025 indica crescimento de 295% na degradação da floresta, atingindo 34.038 km². O aumento é atribuído, sobretudo, ao pico de queimadas nos meses de setembro e outubro de 2024.
“Ainda que abril tenha tido números baixos, o ciclo atual já apresenta tendência de alta. Nossa preocupação é que o mesmo ocorra com o desmatamento até o fim do calendário”, alerta a pesquisadora Manoela Athaide.
O Pará foi o estado com maior área degradada em abril (64% do total), com destaque para os municípios de Alenquer, Altamira, Paragominas, Cumaru do Norte e Uruará. Já nas terras indígenas, não foram identificadas áreas degradadas no período, o que é considerado um dado positivo diante da vulnerabilidade desses territórios.
“O mês de abril costuma ter chuvas mais frequentes, o que reduz a intensidade dos distúrbios florestais. Esse período deve ser usado pelos governos para intensificar ações preventivas e planejar o enfrentamento dos picos que ocorrem no período seco, de junho a outubro”, conclui Manoela Athaide.
