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Política

Alexandre de Moraes manda bloquear redes sociais de sete suspeitos de atacar o STF

16 de abril de 2019 Política
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Da Folhapress

BRASÍLIA – O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o bloqueio de contas em redes sociais pertencentes a sete pessoas investigadas no inquérito aberto para apurar fake news, ameaças e ofensas contra integrantes da corte e seus familiares.

A decisão, de sexta (12), deflagrou a operação da Polícia Federal que cumpre, na manhã desta terça (16), mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e Goiás. Conforme a ordem, serão apreendidos computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos dos suspeitos.

“Verifica-se a postagem reiterada em redes sociais de mensagens contendo graves ofensas a esta corte e seus integrantes, com conteúdo de ódio e de subversão da ordem”, escreveu o ministro, citando que as condutas em apuração podem se enquadrar em artigos do Código Penal e da Lei de Segurança Nacional.

Um dos alvos, o general da reserva Paulo Chagas, que foi candidato ao governo do Distrito Federal em 2018, é apontado por Moraes como suspeito de “postagens nas redes sociais de propaganda de processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política e social, com grande repercussão entre seguidores”.

“Em pelo menos uma ocasião”, continua o ministro, “o investigado defendeu a criação de um Tribunal de Exceção para julgamento dos ministros do STF ou mesmo substituí-los.”

Outro alvo é o policial civil de Goiás Omar Rocha Fagundes. Nas redes sociais dele, segundo a decisão de Moraes, há publicação de 14 de março deste ano que diz “O nosso STF é bolivariano, todos alinhados com os narcotraficantes e corruptos do país. Vai ser a fórceps”.

Em outra publicação, Fagundes teria escrito “O Peru fechou a corte suprema do país. Nós também podemos! Pressão total contra o STF”.

Os outros cinco investigados são Isabella Trevisani, Carlos Antonio dos Santos, Erminio Nadin, Gustavo de Carvalho e Silva e Sergio de Barros. Eles são apontados por publicações como: “Não tem negociação com quem se vendeu para o mecanismo. Destituição e prisão. Fora STF” e “Esta é a recepção para Ministro Ladrão de Toga (enquanto exibe uma cesta de ovos em vídeo publicado em 19/03/2019)”.

O inquérito no qual são realizadas as buscas e apreensões desta manhã foi instaurado em março pelo presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, de ofício -sem provocação de outro órgão. O Ministério Público não participa da investigação. 

O ministro Moraes foi escolhido por Toffoli para presidir o inquérito sem sorteio -o que motivou críticas de outros membros do tribunal.

Nesse mesmo procedimento, Moraes determinou a retirada do ar de reportagem e notas publicadas na semana passada pelos sites da revista Crusoé e O Antagonista. Os textos noticiavam a existência de um email do empresário e delator Marcelo Odebrecht em que, conforme um esclarecimento dele, havia uma menção a Toffoli.

O email era de julho de 2007, época em que Toffoli era advogado-geral da União no governo Lula (PT). A mensagem de Marcelo Odebrecht a dois executivos da empreiteira dizia:  “Afinal vocês fecharam com o amigo do amigo de meu pai?”. Não há qualquer citação a pagamentos. A PF perguntou a Odebrecht quem era a pessoa mencionada, e ele respondeu, no início deste mês, que era Toffoli.

Moraes considerou que a reportagem de Crusoé era inverídica porque relatava que o esclarecimento prestado pelo delator havia sido remetido à Procuradoria-Geral da República. Após a publicação da matéria, a PGR divulgou nota dizendo que não havia recebido tal esclarecimento. No entanto, ele chegou a fazer parte de um inquérito da Lava Jato em Curitiba.

O diretor de Redação da revista Crusoé, Rodrigo Rangel, classificou a decisão do STF como censura e afirmou que “reitera o teor da reportagem, baseada em documento, e registra que a decisão [de Moraes] se apega a uma nota da Procuradoria-Geral da República sobre um detalhe lateral e utiliza tal manifestação para tratar como fake news uma informação absolutamente verídica, que consta dos autos da Lava Jato”.

A operação desta terça não é a primeira no âmbito do inquérito aberto pelo Supremo. Em 21 de março, policiais cumpriram mandados de busca e apreensão contra um guarda civil de Indaiatuba (SP) e um advogado de Maceió (AL). Desde aquela ocasião, segundo pessoas próximas à investigação, os registros de ofensas à corte diminuíram, segundo monitoramento realizado pelo tribunal.

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Assuntos Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Lula, STF
Redação 16 de abril de 2019
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