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Política

Advogado ligado aos Bolsonaros é acusado de injúria racial por garçonete; Wassef nega e se diz vítima

12 de novembro de 2020 Política
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Advogado-Frederick-Wassef-Foto-Bruno-Santos-Folhapress
Advogado Frederick Wassef nega as acusações (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
Por Marcelo Rocha, da Folhapress

BRASÍLIA – Atendente da Pizza Hut localizada em um shopping de Brasília registrou na Polícia Civil um boletim de ocorrência contra o advogado Frederick Wassef por injúria racial. Wassef foi advogado da família do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

A garçonete Danielle da Cruz Oliveira, de 18 anos, procurou a 1ª Delegacia de Polícia de Brasília na noite desta quarta-feira, 11, e afirmou que foi chamada de “macaca” por Wassef durante seu expediente no estabelecimento comercial.

Em nota, Wassef negou a acusação, disse que é vítima de denunciação caluniosa e que registrará uma ocorrência na polícia contra a denunciante. “Não chamei ninguém de macaco”, afirmou.

De acordo com Danielle, Wassef esteve no estabelecimento no domingo dia 8, por volta das 21h, e reclamou da pizza consumida no local: “Essa pizza não tá boa. Você comeu?”, narrou ela na delegacia. No que respondeu “não”, Danielle afirmou que o advogado retrucou dizendo “você é uma macaca! Você come o que te derem”.

A garçonete afirmou ainda ter dito que ele “não é melhor do que ninguém, você é o único que reclamou da pizza”. Na versão dela, o advogado disse “de onde eu venho, serviçais não falam com o cliente”, deixando o local em seguida.

Eduardo Alves dos Santos, gerente da pizzaria, esteve na delegacia e reforçou o relato de Danielle. Ele disse aos policiais ter ouvido “claramente” Wassef chamando a funcionária de “macaca e a humilhando”.

O gerente disse ainda que tentou falar com o advogado na saída, alertando-o que aquilo seria um caso de polícia, mas que Wassef “não deu ouvidos” e foi embora. Eduardo afirmou ainda que incentivou Danielle a registrar o boletim de ocorrência.

A garçonete afirmou que o advogado é cliente frequente do estabelecimento, porém “é conhecido por se tratar de uma pessoa arrogante e que destrata e ofende funcionários. E, segundo ela, não foi a primeira vez que lhe dirigiu agressões verbais.

Na versão de Danielle, Wassef disse em outra ocasião que não queria ser atendido por ela porque “é negra, tem cara de sonsa” e não saberia anotar o pedido. E que o advogado chegou a jogar no chão uma das caixas vazias do mostruário, mandando ela pegar.

Apura-se o caso de injúria racial, especificado no artigo 140 do Código Penal. É quando uma ou mais vítimas são ofendidas pelo uso de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião e origem.

O tipo penal é crime inafiançável, com pena de reclusão de um a três anos, também com multa.

Wassef afirmou que “tudo o que foi dito pela funcionária da Pizza Hut são mentiras e calúnias. “Sou vitima de uma farsa e armação montada”, afirmou.

“Sou vitima de denunciação caluniosa que foi organizada sob orientação de terceiros visando futura ação indenizatória para ganhar dinheiro através desta fraude arquitetada”.

“A funcionária não é negra e mentiu afirmando que eu a chamei de negra e por isto não queria ser atendido por ela. Foi fazer um boletim de ocorrência três dias apos o fato narrado e levou fotógrafo para tirar sua foto na delegacia fazendo o B.O. e divulgou para a imprensa imediatamente.”

De acordo com ele, havia seguranças no local e que, se fosse verdade o que a funcionaria afirma, ele teria sido preso e e filmado com celulares. Ele disse também que Danielle estava sozinha no caixa e ninguém estava perto.

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Assuntos advogado, Frederick Wassef, garçonete, injúria racial, Jair Bolsonaro
Redação 12 de novembro de 2020
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