
Por Iolanda Ventura, da Redação
MANAUS – Vítimas de acidentes de trânsito e da violência estão pressionando o sistema público de saúde em Manaus, afirmou o secretário estadual de Saúde Marcellus Campêlo. Ele diz que os hospitais precisarão remanejar leitos para garantir o atendimento aos pacientes e manter a disponibilidade de camas destinadas às pessoas acometidas pela Covid-19.
Em live nas redes sociais na tarde desta sexta-feira, Campêlo disse que os maiores hospitais públicos de emergência da capital tiveram aumento nas internações. “O que tem pressionado muito a rede são as causas externas, em que temos os grandes hospitais e prontos-socorros de Manaus como Platão (Araújo), João Lúcio e 28 de Agosto muito pressionados, principalmente com acidentes de trânsito e trauma de ortopedia”, disse.
Hospitais que não recebem emergências atenderão vítimas desses casos. “Nós vamos ter que fazer um trabalho novamente de giro de leitos para poder atender, inclusive na madrugada, as cirurgias de ortopedia para liberar leitos nessas unidades. Inclusive utilizando hospitais de (operações) eletivas como o Adriano Jorge, para trabalharmos esse giro de leitos na rede”, disse.
Dados apresentados pelo secretário mostram que até às 22h de quinta-feira, 15, dos 1.510 leitos clínicos não Covid 78% estavam ocupados, e dos 277 leitos de UTI não Covid, 72% estavam ocupados. Quanto aos leitos de Covid, dos 569 clínicos, 37% tinham pacientes e dos 299 da UTI, 75% estavam ocupados.
Cristiano Fernandes, diretor-presidente da FVS (Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas), afirma que o aumento da demanda na rede hospitalar refletiu nos sepultamentos. “Nos últimos dias observamos um aumento de sepultamentos que chamou a atenção do ponto de vista epidemiológico. A gente observou que parte desses sepultamentos está relacionada a causas externas, principalmente acidentes de trânsito e violência”, repetiu.
Segundo a FVS, ocorreram 2.328 mortes em 2020 e 5.645 de janeiro a março de 2021, ambos períodos de intenso contágio e mortes pela Covid-19.

Fernandes atribui esse aumento no número de pacientes aos feriados. “Isso é um dado importante para que a gente precisa estabelecer algumas medidas para evitarmos a ocorrência desses óbitos de causas evitáveis. A gente faz um apelo à população para os cuidados no trânsito principalmente, que é um fator que pode gerar o óbito, que é o que percebemos aí, principalmente em razão dos feriados”, disse.
