
Do ATUAL
MANAUS — A ação civil pública movida pelo Observatório do Clima para suspender editais de pavimentação da BR-319 provocou reação imediata de políticos do Amazonas, que classificaram a iniciativa como um obstáculo ao desenvolvimento do estado. A medida questiona contratos do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) para obras em 339,4 quilômetros da rodovia, no chamado “trecho do meio”.
A entidade pede a anulação dos editais e a suspensão das obras até a realização completa do licenciamento ambiental, com Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de Operação. Segundo a ação, o governo classificou a intervenção como “reforma” para dispensar exigências ambientais.
O senador Eduardo Braga criticou duramente a iniciativa e afirmou que há interesses externos contrários ao avanço da infraestrutura no estado. Ele defendeu que a BR-319 não é uma nova obra, mas a recuperação de uma rodovia já existente, o que, segundo ele, encontra respaldo legal. Braga também citou parecer da AGU (Advocacia-Geral da União) que reconhece a existência prévia da pavimentação no trecho.
“Essas ONGs vão continuar aparecendo. Toda vez que o Amazonas der um passo pra frente, vai ter alguém tentando puxar a gente pra trás”, afirmou Braga. “Eu venho lutando com toda minha força para não permitir que continuem nos travando. Não dá para aceitar que essa gente que não vive aqui decida o nosso futuro”, completou.
O senador Omar Aziz também se posicionou contra a ação e afirmou que o argumento ambiental tem sido utilizado para prejudicar a população local. Segundo ele, os moradores da região são os principais responsáveis pela preservação da floresta e conhecem as necessidades do estado. Aziz destacou que a rodovia é essencial para reduzir o isolamento do Amazonas e melhorar a logística.
“Ninguém preserva mais o Amazonas do que os povos originários, os indígenas, os caboclos, os amazonenses. Nós sabemos cuidar do Amazonas, sabemos cuidar da nossa floresta. Ninguém precisa ensinar pra gente o que é bom e o que é ruim para nós. Espero que a Justiça tenha a sensibilidade de entender a importância que a BR-319 tem para o povo amazonense”, disse Aziz.
O governador interino do Amazonas, Roberto Cidade, classificou como “inadmissível” qualquer tentativa de barrar a pavimentação da estrada. Ele afirmou que o governo estadual está aberto ao diálogo, mas reforçou que a falta de infraestrutura compromete o desenvolvimento e a integração do estado com o restante do país.
“Eu estou hoje na condição de governador interino e boto à disposição o Governo do estado do Amazonas e explicar para todo mundo que nós não podemos mais ficar isolados de todo o Brasil”, afirmou Cidade.
A BR-319 liga Manaus a Porto Velho e é considerada estratégica para o transporte de pessoas e mercadorias. O trecho alvo da ação judicial atravessa uma das áreas mais preservadas da Amazônia, o que mantém o debate entre desenvolvimento econômico e proteção ambiental no centro das discussões.
