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Follow Up

ABRH: treinamento, educação e compromisso

17 de fevereiro de 2016 Follow Up
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Entrevista com Wilson Périco

Wilson Perico6 vl

Representando o setor produtivo, o presidente do CIEAM, Centro da Indústria do Estado do Amazonas, Wilson Périco, prestou homenagem a Associação Brasileira de Recursos Humanos, ABRH-AM, que deu posse a nova diretoria, na sua representação no Amazonas. Ele mencionou a história da entidade e sua ligação muito próxima com o CIEAM, com quem compartilha objetivos e crenças no papel de promover a qualificação e integração dos recursos humanos na gestão do setor produtivo, sua vitalidade e eficácia. Para ele, “… o momento adverso que o Brasil e o Amazonas experimentam nos provoca e convoca a pensar em mudanças, e a história não nos perdoará se nos detivermos, com o dedo em riste, a apontar a responsabilidade exclusiva dos outros pelos apuros que estamos passando sem reconhecer nosso descaso ou omissão com a qualificação dos recursos humanos de nossas organizações e tecido social.” CONFIRA.

Follow-Up: Qual é o papel dos recursos humanos no enfrentamento destes momentos de crise que estamos experimentando?

Wilson Périco: Na vida cotidiana, seja ela pessoal, conjugal ou no mundo do trabalho, os sucessos e os fracassos precisam ser compartilhados. Mesmo as falhas pessoais mais gritantes envolvem a conivência ou a omissão de alguém. O mundo se define pela constância das relações e interatividade entre seus atores. Se o Brasil está mal das pernas, por conta da incompetência deste ou daquele gestor, não devemos jamais esquecer que temos – como se diz no jargão popular – pendências no cartório, na medida em que nada fizemos para evitar o agravamento do caos. Por isso é urgente repensar o conceito que temos de compromisso, a começar pelo peso de nosso voto, ou pelo descaso com que temos tratado a qualificação dos nossos jovens, dos nossos recursos humanos, este pilar vital de sustentação da sociedade. Basta ver o lugar de constrangimento que o Brasil se encontra no ranking mundial de educação.

FUp: E qual é o papel de uma entidade como a ABRH neste desafio?

WP: O enfrentamento é de todo o tecido social em todas as esferas e setores do cotidiano. A ABRH tem tido um papel fundamental no Amazonas, tanto no que diz respeito a qualidade dos programas e estratégias de qualificação e treinamento como, principalmente, por hastear a bandeira da educação. Por isso é relevante prestigiar a posse da nova direção da Associação Brasileira de Recursos Humanos, no Amazonas, tendo à frente uma guerreira amazona, a professora Katia Andrade, uma história de luta para manter vivo o dinamismo e o papel determinante desta combativa entidade. Nós, do CIEAM, temos orgulho de poder dizer que estivemos juntos desde suas origens, no cotidiano do Centro da Indústria e juntos permaneceremos sempre e quando se mantiver aceso o compromisso com a melhor qualidade de vida das pessoas, sua dignidade, demandas, qualificação, e importância essencial na construção de uma sociedade próspera e justa em suas oportunidades e conquistas.

FUp: Qual a diferença entre treinamento e educação, e o papel de ambos neste momento adverso?

WP: Em nossa última jornada de revisão e atualização do planejamento estratégico do CIEAM, abrimos um debate, que se mantém vivo e desafiador, sobre a diferença crucial ente treinamento e educação. O treinamento tem por finalidade desenvolver uma habilidade específica, como operar uma máquina, realizar um procedimento rotineiro ou atender a pessoas dentro de uma faixa estreita de responsabilidade. Já a educação tem por objetivo fomentar valores, aqueles que descrevem a harmonia e a solidariedade, priorizam o bem estar, defendem a lei e a proatividade entre os cidadãos, respeita o interesse e o bem público, e estimula o pensamento crítico do indivíduo, sua habilidade em tomar iniciativas, disposição para aprender novos conteúdos por conta própria, e se perceber como parte de uma grande engrenagem social de crescimento, liberdade e responsabilidade social, ambiental e universal.

FUp: Podemos, então, dizer que a fragilidade do modelo educacional está na raiz de nossas dificuldades?

WP: Sou um defensor ardoroso do ensino qualificado, em todos os níveis, do jardim de infância, hoje chamada pré-escola, ao pós-doutorado. O mestrando em Educação de nossas universidades precisa conversar com os professores da pré-escola.  Já disse e repito: não foi na universidade que eu encontrei a verdadeira sabedoria e a civilidade, e sim no recreio do Jardim da Infância onde aprendi a respeitar a Pátria, os conceitos de civismo, além de exercitar a cidadania. Tudo isso que carrego até hoje. Foi exatamente isso que aprendi: respeitar o professor, a merendeira, compartilhar tudo, brincar dentro das regras, entender que ninguém era mais que ninguém. Não bater nos outros, colocar as coisas de volta no lugar onde as encontrei, limpar a própria sujeira, não pegar o que não era meu, pedir desculpas quando machucava alguém, lavar as mãos antes de comer, puxar a descarga do banheiro. Ser chamado a atenção era motivo de muita vergonha e nos esforçávamos para estar “dentro da linha”. Tínhamos a liberdade de fazer as coisas corretamente.

FUp: E qual é o papel das empresas neste desafio chamado EDUCAÇÃO?

WP: A empresa não tem a responsabilidade direta no desenvolvimento humano de seus funcionários, mas ela pode fornecer os meios de facilitação para que as pessoas se desenvolvam. E quem ganha com isso?  Se essa consciência for assumida por todos encontramos o melhor dos mundos, e todos ganham, a empresa, os colaboradores e os clientes, o cidadão e suas famílias, o país. E é assim que se formam novas lideranças, mais preparadas para mudar seus paradigmas no enfrentamento das adversidades, para questionar e rever formas de atuação na empresa e na vida pública, um diferencial proativo, criativo e de partilha na busca de superação e de transformação da adversidade em oportunidade. Só assim, e desprovidos do personalismo estéril, em vez de jogar a toalha, vamos planejar juntos a melhor forma de diversificar novas linhas de tecidos e de produção para enxugar o comodismo e a lamúria improdutiva, dando lugar, vez e voz ao fator humano, nossa dimensão proativa e colaborativa, decisiva na urgente tarefa de fazer da desordem a palavra de ordem das novas oportunidades a nosso alcance.

Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. 
Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

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Assuntos Cieam, Coluna Follow Up, compromisso, Crise
Valmir Lima 17 de fevereiro de 2016
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