
Do ATUAL
MANAUS – Desde 2013, o ensaísta Alfredo Lopes passou a coordenar editorialmente a coluna Follow Up, espaço de debate e divulgação do pensamento, das ações e dos avanços do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) na defesa da indústria da Zona Franca de Manaus.
No próximo dia 13, a entidade lança o livro “CIEAM EM MOVIMENTO: indústria, floresta e cidadania”, que conta a própria história e presta contas ao contribuinte deste programa, a ZFM — considerado por especialistas como o maior acerto fiscal da história da República na redução das desigualdades regionais.
Para revelar alguns bastidores e detalhes da elaboração dessa obra, conversamos com o autor, colaborador histórico do jornal online AMAZONAS ATUAL, que acompanhou de perto parte dos 46 anos de lutas e conquistas da entidade.
Qual foi o ponto de partida para a criação do Cieam em 1979?
O Cieam nasceu no calor da transição democrática, quando o retorno de Gilberto Mestrinho do exílio e a mobilização contra a perseguição ao empresário Edgar Monteiro de Paula levaram Mário Guerreiro, Mendonça Furtado e um grupo de empresários a fundar uma entidade que defendesse de forma estruturada os interesses socioeconômicos e ambientais do Amazonas e da Amazônia. A ideia era clara: proteger o modelo da Zona Franca de Manaus e, ao mesmo tempo, alinhar-se aos parâmetros da nova democracia que se organizava no país.
Como se deu essa articulação inicial?
Foi um movimento de peso, que envolveu lideranças empresariais e políticas dispostas a assumir riscos e responsabilidades. Eles compreenderam que, sem organização e coesão, o Amazonas perderia espaço nas decisões nacionais. O Cieam nasceu como uma frente unida, capaz de dialogar com Brasília e também de mobilizar a sociedade local.
Qual é a principal marca desses 46 anos?
A capacidade de resistir e se reinventar diante das ameaças. O Cieam se tornou um escudo institucional da Zona Franca, articulando-se com os mais diferentes atores para manter a viabilidade econômica e ambiental do modelo.
Que papel teve a coluna Follow Up nesse processo?
A Follow Up se consolidou como um canal direto com a sociedade, revelando não só as conquistas, mas também os desafios do Polo Industrial de Manaus. Tornou-se um espaço de prestação de contas e reflexão, contribuindo para aproximar o cidadão do debate sobre desenvolvimento regional.
Como o CIEAM enfrentou as tentativas de eliminação da ZFM para expansão do agronegócio?
Houve momentos em que setores do governo federal, interessados em ampliar fronteiras agrícolas sobre a Amazônia e o Amazonas, tentaram minar a Zona Franca. O Cieam atuou de forma estratégica, mobilizando dados, estudos e alianças políticas para mostrar que o modelo industrial é não só economicamente viável, mas também ambientalmente protetor. Essa postura ajudou a barrar retrocessos.
E quanto à reforma tributária de 2023?
A reforma representou um risco concreto de esvaziamento da contrapartida fiscal que sustenta a ZFM. O Cieam trabalhou em sintonia com a bancada parlamentar do Amazonas, que compreendeu rapidamente o perigo. O resultado foi a inclusão de dispositivos constitucionais que preservam o modelo até 2073, garantindo sua função social e ambiental.
O que o livro lançado agora traz de novo para o público?
Ele combina narrativa histórica, depoimentos de protagonistas e dados objetivos para mostrar como a Zona Franca tem sido um dos instrumentos mais eficazes de redução das desigualdades regionais. É, ao mesmo tempo, um registro e uma prestação de contas.
Como o Cieam equilibra economia e meio ambiente?
O modelo ZFM é baseado no princípio da floresta em pé. A indústria concentrada na capital evita a expansão predatória sobre a floresta e gera receita para investir em ciência, tecnologia e inovação voltadas à bioeconomia.
Qual foi o maior avanço institucional nesses 46 anos?
A consolidação de um diálogo maduro com o poder público e com a sociedade, permitindo que o Cieam seja ouvido nas grandes decisões e que sua voz tenha peso em Brasília e nos fóruns internacionais.
E o maior desafio que ainda persiste?
Superar a dependência de decisões políticas centralizadas e ampliar o entendimento, no resto do país, de que a Zona Franca não é um privilégio, mas um pacto federativo que beneficia toda a nação.
Qual é a importância do engajamento da bancada parlamentar do Amazonas?
A bancada é a linha de frente na defesa do modelo no Congresso. Quando atua unida, como ocorreu em 2023, e todos os momentos de ameaça, ela multiplica a capacidade de resistência e negociação do Cieam .
Que mensagem você deixa para o leitor sobre o futuro da ZFM?
O futuro da Zona Franca depende de mantermos a consciência de que ela é um instrumento de soberania nacional, desenvolvimento sustentável e justiça social. Defender a ZFM é defender a Amazônia, o Brasil e a democracia.
