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© 2022 Amazonas Atual
Economia

Alfredo Lopes conta a história e os bastidores do Cieam na defesa da ZFM

13 de agosto de 2025 Economia
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Alfredo Lopes
Alfredo Lopes é autor da obra que conta a história do Cieam, entidade empresarial que atua na defesa da Zona Franca de Manaus (Foto: Divulgação)
Do ATUAL

MANAUS – Desde 2013, o ensaísta Alfredo Lopes passou a coordenar editorialmente a coluna Follow Up, espaço de debate e divulgação do pensamento, das ações e dos avanços do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) na defesa da indústria da Zona Franca de Manaus.

No próximo dia 13, a entidade lança o livro “CIEAM EM MOVIMENTO: indústria, floresta e cidadania”, que conta a própria história e presta contas ao contribuinte deste programa, a ZFM — considerado por especialistas como o maior acerto fiscal da história da República na redução das desigualdades regionais.

Para revelar alguns bastidores e detalhes da elaboração dessa obra, conversamos com o autor, colaborador histórico do jornal online AMAZONAS ATUAL, que acompanhou de perto parte dos 46 anos de lutas e conquistas da entidade.

Qual foi o ponto de partida para a criação do Cieam em 1979?

O Cieam nasceu no calor da transição democrática, quando o retorno de Gilberto Mestrinho do exílio e a mobilização contra a perseguição ao empresário Edgar Monteiro de Paula levaram Mário Guerreiro, Mendonça Furtado e um grupo de empresários a fundar uma entidade que defendesse de forma estruturada os interesses socioeconômicos e ambientais do Amazonas e da Amazônia. A ideia era clara: proteger o modelo da Zona Franca de Manaus e, ao mesmo tempo, alinhar-se aos parâmetros da nova democracia que se organizava no país.

Como se deu essa articulação inicial?

Foi um movimento de peso, que envolveu lideranças empresariais e políticas dispostas a assumir riscos e responsabilidades. Eles compreenderam que, sem organização e coesão, o Amazonas perderia espaço nas decisões nacionais. O Cieam nasceu como uma frente unida, capaz de dialogar com Brasília e também de mobilizar a sociedade local.

Qual é a principal marca desses 46 anos?

A capacidade de resistir e se reinventar diante das ameaças. O Cieam se tornou um escudo institucional da Zona Franca, articulando-se com os mais diferentes atores para manter a viabilidade econômica e ambiental do modelo.

Que papel teve a coluna Follow Up nesse processo?

A Follow Up se consolidou como um canal direto com a sociedade, revelando não só as conquistas, mas também os desafios do Polo Industrial de Manaus. Tornou-se um espaço de prestação de contas e reflexão, contribuindo para aproximar o cidadão do debate sobre desenvolvimento regional.

Como o CIEAM enfrentou as tentativas de eliminação da ZFM para expansão do agronegócio?

Houve momentos em que setores do governo federal, interessados em ampliar fronteiras agrícolas sobre a Amazônia e o Amazonas, tentaram minar a Zona Franca. O Cieam atuou de forma estratégica, mobilizando dados, estudos e alianças políticas para mostrar que o modelo industrial é não só economicamente viável, mas também ambientalmente protetor. Essa postura ajudou a barrar retrocessos.

E quanto à reforma tributária de 2023?

A reforma representou um risco concreto de esvaziamento da contrapartida fiscal que sustenta a ZFM. O Cieam trabalhou em sintonia com a bancada parlamentar do Amazonas, que compreendeu rapidamente o perigo. O resultado foi a inclusão de dispositivos constitucionais que preservam o modelo até 2073, garantindo sua função social e ambiental.

O que o livro lançado agora traz de novo para o público?

Ele combina narrativa histórica, depoimentos de protagonistas e dados objetivos para mostrar como a Zona Franca tem sido um dos instrumentos mais eficazes de redução das desigualdades regionais. É, ao mesmo tempo, um registro e uma prestação de contas.

Como o Cieam equilibra economia e meio ambiente?

O modelo ZFM é baseado no princípio da floresta em pé. A indústria concentrada na capital evita a expansão predatória sobre a floresta e gera receita para investir em ciência, tecnologia e inovação voltadas à bioeconomia.

Qual foi o maior avanço institucional nesses 46 anos?

A consolidação de um diálogo maduro com o poder público e com a sociedade, permitindo que o Cieam seja ouvido nas grandes decisões e que sua voz tenha peso em Brasília e nos fóruns internacionais.

E o maior desafio que ainda persiste?

Superar a dependência de decisões políticas centralizadas e ampliar o entendimento, no resto do país, de que a Zona Franca não é um privilégio, mas um pacto federativo que beneficia toda a nação.

Qual é a importância do engajamento da bancada parlamentar do Amazonas?

A bancada é a linha de frente na defesa do modelo no Congresso. Quando atua unida, como ocorreu em 2023, e todos os momentos de ameaça, ela multiplica a capacidade de resistência e negociação do Cieam .

Que mensagem você deixa para o leitor sobre o futuro da ZFM?

O futuro da Zona Franca depende de mantermos a consciência de que ela é um instrumento de soberania nacional, desenvolvimento sustentável e justiça social. Defender a ZFM é defender a Amazônia, o Brasil e a democracia.

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Assuntos Alfredo Lopes, Cieam, livro, ZFM, Zona Franca de Manaus
Valmir Lima 13 de agosto de 2025
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