
Por Valmir Lima, de Iranduba
IRANDUBA (AM) – O vereador de Iranduba Paulo Roberto Bandeira (PSD), que ficou preso por mais de 250 dias por corrupção e foi solto na sexta-feira, 29, reassumiu na manhã desta terça-feira, 2, a presidência da Câmara Municipal. A sessão no legislativo do município (a 27 quilômetros de Manaus) retomou os trabalhos depois do recesso parlamentar do meio do ano. Com Bandeira, também retornou à cadeira de vereador Antônio Grande Rodrigues de Lima (PTN), outro que estava preso desde novembro do ano passado. O terceiro vereador preso, Antônio Alves (PT), ainda está na cadeia. Paulo Bandeira disse que vai entregar o cargo de presidente e ficará como vereador até dezembro.
Eles foram presos na Operação Dízimo da PF (Polícia Federal) por suspeita de participar de um esquema de desvio de recursos em contratos com a Prefeitura de Iranduba para compra de merenda escolar, transporte escolar e até de verba federal destinada às vítimas de desastres naturais, como é o caso da cheia dos rios no Amazonas. O rombo foi estimado em R$ 52 milhões pelo MP-AM (Ministério Público do Amazonas).
O dinheiro do transporte escolar desviado era do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Secretários fraudavam licitações e combinavam com empresários que ganhavam os contratos o pagamento de propina para pagar os vereadores da base aliada do prefeito Xinaik Medeiros. A organização era comandada pelo secretário de finanças do município, David Queiroz, que chamava o pagamento aos vereadores de ‘dízimo’. A Polícia Federal no Amazonas também prendeu, à época, o secretário de Finanças, David Queiroz, o presidente da Comissão de Licitação, Edu Corrêa, e outros dois secretários municipais.
O modus operandi da organização criminosa, de acordo com o delegado Alexandre Teixeira, da Polícia Federal, era o seguinte: as licitações eram fraudadas para beneficiar os empresários contratados pelo município. Em troca, os empresários aceitavam pagar entre 25% e 30% do valor contratado em propina ao secretário de Finanças, que utilizava o dinheiro para pagar uma espécie de “mensalinho” para os vereadores.
Os suspeitos foram presos por 120 dias (prisão temporária) e depois a Justiça estadual renovou o pedido de prisão por mais 120 dias. Como o processo não foi julgado, eles foram soltos.
